UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA

 

ANTOINETTE DE BRITO MADUREIRA

 

VASSOURAS, CIGANAS E EXTRATERRESTRES: MÉDIUNS E EMOÇÕES NO CAMPO RELIGIOSO ESPÍRITA DE NATAL (RN)

 

Tese apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Antropologia da
Universidade Federal de Pernambuco, sob a
orientação do Prof. Dr. Luís Felipe Rios e
do Prof. Dr. Luiz Fernando Dias Duarte
para obtenção do grau de Doutor em
Antropologia.

ORIENTADOR: PROF. DR. LUÍS FELIPE RIOS
CO-ORIENTADOR: PROF. DR. LUIZ FERNANDO DIAS DUARTE

RECIFE
2010

RESUMO

Esta tese discute a constituição de emoções em grupos e indivíduos identificados com a prática da mediunidade no campo religioso espírita de Natal – Rio Grande do Norte. Ela se origina de um trabalho de pesquisa empírica de cunho etnográfico que objetivou identificar como o espiritismo se diz e se faz, a partir dos elementos mediunidade e emoção. Buscou compreender o que emoção pode dizer sobre a adesão de grupos e pessoas ao modelo de ser espírita veiculado e valorizado pelo órgão que regula as práticas espíritas no Brasil, a Federação Espírita Brasileira – FEB. Em adição, explorou os mecanismos que contribuem para constituir emoções vistas como corretas nos indivíduos, conforme modelos idealizados apresentados pela FEB e por grupos dela aliados ou desregulados. Adotou-se, neste trabalho, uma perspectiva pragmática dentro do campo da Antropologia das Emoções. A pesquisa realizou-se em três grupos: o mediúnico do centro espírita Irmãos Unidos, o Grupo Ramatís do centro espírita Bezerra de Menezes e o Grupo Atlan. Foram utilizadas as técnicas de observação participante, entrevista e análise documental. Foi evidenciado um contexto de disputas pelo verdadeiro espiritismo e pelo legítimo combate ao Mal, com variações na construção mitológica e nos ritos mediúnicos, sugerindo diferentes modelos de pessoa espírita em atuação. Nesse contexto, o ritual da desobsessão, nos moldes como executado em cada grupo, foi pensado como um dispositivo capaz de engendrar sentidos sobre os seres e o mundo, no momento mesmo em que constitui um discurso racializado para falar das emoções e sobre a salvação. Em suas performances discursivas, os médiuns entrevistados se identificam e se diferenciam na adesão ao grupo e ao rito desobsessivo, e nestas adesões, ancoram situacionalmente seus discursos emotivos, conferindo um lugar ao seu espiritismo ante a disputa pela legitimidade de sua guerra contra o Mal.

Palavras-chave: 1. Antropologia. 2. Espiritismo. 3. Mediunidade. 4. Emoções. 5. Desobsessão. 6. Espíritas.

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