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As Quatro Nobres Verdades
Uma breve comparação entre Budismo e Espiritismo*

Carlos Iglesia

 

Sumário

I - Apresentação e Agradecimentos
II - Introdução: Uma retrospectiva - Ocidente & Oriente
III - Visão Geral
As duas Doutrinas
História
As Quatro Nobres Verdades
IV - Questões Filosóficas
Objetivos
A questão da Causa Primeira
O Homem em sua essência
Concepção deste mundo
Responsabilidade frente ao destino
Atitude perante a fé
V - Prática
Impacto na sociedade
Organização Interna
Ritos
VI - Conclusão
VII - Anexos
Para conhecer melhor as doutrinas discutidas neste artigo
Vocabulário
Bibliografia

Apresentação e Agradecimentos

Acredito sinceramente que a melhor maneira de evitar o fanatismo e o fundamentalismo religioso ou filosófico é o estudo de outras formas de pensar e de crer. A verdade última, realidade a que todos os caminhos espirituais buscam, só pode ser uma, nossa capacidade de compreensão é que é limitada e portanto só pode apreendê-la de forma parcial. Cada uma dessas verdades parciais, modelos criados pelo entendimento humano, aborda um ângulo especifico, traduz dentro de um contexto cultural definido, dentro das características psicológicas de um povo ou de uma época, a verdade maior.


Indo ao encontro de outras crenças, percebemos que o critério da concordância universal [1], proposto por Allan Kardec, tem também seu aspecto externo. Como em todas as épocas da humanidade o espírito humano buscou transcender suas limitações e compreender o problema do ser, do destino e da dor - como sempre os mundos espiritual e material estiveram em contato - as verdades parcias de cada um, são mais confiaveis, quando podem ser validadas com as descobertas, ou revelações, vindas de diversas fontes, de diferentes povos, em diversas épocas, dentro de tradições diferentes. E, naturalmente, as diferenças que encontramos, são os diferentes enfoques, mais ou menos precisos, que cada um deu ao mesmo problema.


Entendendo o enfoque dado por outros, compreendemos melhor o nosso, suas virtudes e suas limitações, e estamos aptos a vivencia-lo mais fielmente ou buscar novos rumos. O Espiritismo, como doutrina aberta a razão, ao estudo e a critíca, nos permite tal liberdade de consciência e nela está sua maior força.


Portanto não poderia deixar de começar esta série de artigos sem agradecer ao educador emérito, Allan Kardec, que construiu sobre alicerces tão firmes e duradouros, na elucidação dos fenômenos mediúnicos e na análise dos ensinamentos dos espíritos, uma nova forma de pensar sobre o ser humano e o mundo que o rodeia.


Também gostaria de agradecer aos amigos do GEAE, que no exercício da razão, através do estudo fraterno e da troca salutar de idéias, trilham este caminho. Agradeço particularmente ao amigo Elzio Ferreira de Souza, por ter me feito rever minhas idéias sobre o pensamento oriental, mostrando-me onde meus estudos anteriores, por sua pouca profundidade, estavam incompletos e onde deveriam ser corrigidos. Inclusive trechos inteiros do texto foram revisados sob sua orientação.


Obrigatório agradecer também ao extraordinário pensador e lider religioso do povo Tibetano, sua Santidade o XIV Dalai Lama, pelos excelentes livros[2] em que aborda as mais intricadas questões do Budismo de forma tão espontânea e sincera, com tanta simplicidade de expressão, que praticamente se tornam compreensiveis a nós que não crescemos entre as tradições milenares do Oriente.


Muita Paz para todos,


Carlos A. Iglesia Bernardo

Introdução: Uma retrospectiva - Ocidente & Oriente

O fascínio do extremo Oriente sobre o Ocidente é velho de milênios, pois, já na grécia antiga, aventureiros, viajantes e comerciantes traziam notícias das riquezas e dos estranhos sábios que existiam para lá das fronteiras da Persia. Com a expedição de Alexandre, o Grande, que chegou ao vale do Indus por volta de 326 ac, os dois mundos foram colocados em contato próximo. Os historiadores contam que esta expedição trouxe, ao retornar, um asceta jaina[3] que grande admiração causou entre os gregos [4].
Durante os séculos seguintes, o ouro e a prata do Ocidente fluiram através das rotas comerciais asiáticas, trazendo de volta seda - daí a famosa "Rota da Seda" - especiarias e conhecimentos. Junto a estes bens materiais vinham também informações sobre reencarnação, karma, ascetismo, ligeiras notícias sobre Buda e Brahman.


Foi somente a longa noite medieval que interrempou o fluxo, que desviou-se para o Oriente próximo, alimentando espiritualmente a civilização Árabe Medieval no seu apogeu. Bagdá, Damasco, Córdoba e outras capitais do Islã medieval, receberam por suas caravanas e navegadores, os conhecimentos sobre o "zero", a "bússola" e a filosofia que se incorporou ao Islã em sua forma mais mistíca - o Sufismo[5].


O antigo "Mare Nostrum" dos Romanos, ficou fechado para a navegação do Ocidente e até bem depois do ano 1000 não circulavam mais especiarias, nem ciência do espírito, mal e mal algum tráfego marginal e lendas fabulosas. O Ocidente ficou fechado em sí mesmo, com seus monges e a igreja de Roma tentando a todo custo evitar a submersão total na barbaríe.
Novo período se inicia pela época das Cruzadas, que apesar do desastre militar e moral que representaram, abriram caminho novamente para as rotas do Oriente. Por esses caminhos, comerciantes italianos, como Marco Pólo, começaram novamente os contatos com o extremo Oriente, que aos poucos levariam as grandes navegações do século XV e ao início da era moderna.
Ricas e populosas, as cidades do Oriente distante, naturalmente passaram a atrair os navegadores ocidentais . No início estes causaram apenas incomodos marginais, os grandes impérios da Espanha e de Portugal mal se estabeleceram as margens da India e da China. Más aos poucos, novas levas, reforçadas pelos progressos da ciência material, permitiram o estabelecimento de protetorados e finalmente submeteram os principais centros culturais. A nova ciência da matéria e a cobiça levaram paises europeus pequenos a dominar territórios imensos, com civilizações muitas vezes mais velhas e sofisticadas. De todo o Oriente, somente o Sião e o Japão escaparam relativamente incólumes a este período.


O século XIX marcou o auge do Imperialismo Europeu, a revolução industrial se espalhou pelo velho continente, fabricando mais e mais bens de consumo, para os quais os paises necessitavam tanto de mercados, como de fornecedores de matéria prima. Mesmo o velho império do meio, a China, sofreu golpes e humilhações tão profundas que o jogariam nos braços do materialismo comunista do século XX [6].


Durante este processo de conquista, no sentido inverso, o Oriente fascinou os Iluministas europeus do século XVIII, povou a imaginação das cortes européias - que multiplicaram em seus jardins os pavilhões chineses e em seus pálacios as salas chinesas, com porcelanas e pinturas orientais - e, século XIX adentro, alimentou o esoterismo ocidental. No final do século XIX, Madame Blavaski e a Sociedade Teosófica, popularizaram a filosofia hindu na Europa e nos Estados Unidos.


Este período histórico, o do auge do colonialismo ocidental no século XIX, marca também a transformação dos Estados Unidos em uma potência continental. A vitória contra o México, trazendo-lhe as riquezas da Califórnia e do Texas, consolidaram o esforço iniciado com os peregrinos do Mayflower. Foi nesta jovem democracia, única em sua época por sua organização social e política, que em 1848 começaram a ocorrer os fenômenos que dariam nascimento ao Modern Spiritualism e, ao atravessar o Atlântico, ao Espiritismo.
Em 1857, o educador frânces, Hypollite Leon Denizard Rivail, mais conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec, publica o "Livro dos Espíritos", dando por primeira vez uma verdadeira ciência do espírito ao Ocidente. Ciência dentro de todos os rigores metodológicos do racionalismo frânces, continuando de onde a filosofia iluminista não tinha conseguido passar.


Século XX, século de conflagrações mundiais e de paradoxos. Se por um lado o Oriente se ocidentaliza para conseguir se libertar do jugo colonial, por outro o Ocidente se descobre carente de espiritualidade e olha para o Oriente. Nos anos 40, diante da não-violência e do amor a verdade de Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatama Gandhi, a grande alma, o império britânico recua.
A partir dos anos 50, o Ocidente se vê fascinado pelo Budismo. Primeiro pelo Budismo Zen, vindo do Japão através das tropas de ocupação americanas, depois pelo Budismo Tibetando, trazido por monges que fogem da ocupação chinesa no Tibete. Se o Budismo perde o Tibete, ganha adeptos por todos os lados e simpatizantes sem fim.


Seu lider espiritual, Tenzin Gyatso - Sua Santidade o XIV Dalai Lama - pela sua luta pacífica em defesa de seu povo e pela sobrevivência de sua cultura, hoje é uma das figuras mais populares entre os lideres religiosos mundiais e pode se dizer que divide com o Mahatama Gandhi o privilégio de ser um dos Orientais contemporâneos de maior influência entre os pensadores Ocidentais.
Depois da turbulência ao final do século XX, com o desaparecimento da União Soviética e o pipocar de pequenas guerras nacionais, começamos o século XXI em um mundo globalizado. Ocidente e o Oriente estão de tal modo próximos, que é impossivel ignorarem-se mutuamente [7] ou deixarem de reconhecer que cada um tem seus méritos e deméritos.


Há muito que se aprender mutuamente e não será por "conversões" ou por "conquistas" que esta compreensão virá. Nunca, desde que Alexandre chegou as margens do Indus, ouve tantas oportunidades de aprendizado em comum. Não é mais o super-civilizado Oriente olhando com desdém os rusticos bárbaros ocidentais, nem mesmo os orgulhosos senhores do mundo querendo impor seu cristianismo aos pagãos do Oriente - são povos iguais, sofridos e cansados, que mutuamente podem se apoiar na busca da libertação do sofrimento e de uma melhor compreensão do Universo[8].


Assim é dentro deste escopo, de compreensão mutua, que pretendo desenvolver esta série de artigos. Analisando as diferenças e afinidades entre a sabedoria do Oriente - aqui representada pelo Budismo Tibetano[9]- e o Espiritismo, doutrina a que somos ligados.

Notas Explicativas

1 - vide artigo "Verdade e Controversias em torno do ensinamento dos Espíritos" no Boletim GEAE número 367


2 - O sucesso editorial dos livros do Dalai Lama entre o público brasileiro foi tema de artigos na revista "Super Interessante" da editora Abril - "A vida segundo o Dalai Lama", na edição de agosto de 2001 - e na revista "Meditação" da editora Três - "O Sucesso Editorial do Dalai Lama", edição número 30.


3 - Adepto de uma das escolas de filosofia da India - o Jainismo


4 - Sua estada entre os gregos continuou sendo motivo de muita curiosidade mesmo após sua morte. Esta inclusive deixou-os completamente aturdidos, pois ele se queimou voluntariamente em um pira:
"With Alexander there had also gone one 'Calanus', a figure worth remembering in that he seens to be the first Indian expatriate to whom a name and a date can confidently be given. One of a group of ascetics encamped near Taxila, Calanus had accepted Alexander's invitation to join him in that city and subsequently acompanied him back to the west. There, in Persia shortly before his patron's death, his own death would cause a sensation.
Calanus' doctrinal persuasion is uncertain. As one of his conpanions at Taxila had put it, trying to explain one's philosophy through a wall of interpreters was like 'asking pure water to flow through mud'. In that Calanus and his friends went naked, a condition in which no Greek could be persuaded to join them, they may have been 'nigrantha' or Jains. Jains nudity was dictated by that sect's meticulous respect for life in all its forms. Clothes were taboo because the wearer might inadvertently crush any insect concealed in them; similarly death had to be so managed that only the dying would actually die. Jains bent on ending their life, therefore, usually starved themselves to death. Yet Calanus, a man of advanced years, chose to immolate himself on his own funeral pyre. Though an extraordinarly stoical sacrifice in Greek eyes, this was a decidedly careless move for one dedicated to avoiding casual insecticide. Evidently the Persian winter had induced a chill, if not pneumonia, and Calanus had decided it was better to die than be an encumbrance. No one, not even Alexander, could dissuade him from his purpose. He strode to his cremation at the head of an enormous procession and reclined upon the pyre with complete indifference. This composure he mantained even as the flames frazzled his flesh.
Visibly shaken by such an exhibition, the Greeks held a festival in his honour and drowned their sorrows in a Bacchanalian debauch. Calanus, though he had made no converts, had won many friends. He also left a profound impression well worthy of India's first cultural emissary. 'Gymnosophists', or 'naked philosophers', henceforth became stock figures in the Western image of India. As 'Pythagoreans', they were also identified with Greek traditions of abstinence and the conjectures of Pythagoras about rebirth and the transmigration of the soul.Lucian, Cicero and Ambrose of Milan all wrote of Calanus and his naked companions." John Keay, India - A History.


5 - Os Sufis, procurando extrair dos ensinamentos de Maomé o seu significado profundo - além de cumprir as observações exteriores exigidas de todo muçulmano - incorporaram ao Islamismo conhecimentos sobre o espírito e o Universo, de nitída influencia indiana. Veja-se, por exemplo, os versos de um poeta persa do século XI:
"Como vela en la llama, en su fuego me derreti
y el resplandor oscilante,
sólo a Dios vi.
Com mis proprios ojos, a mí mismo me vi,
pero al mirar con los ojos de Dios,
sólo a Dios vi.
Desvanecido en la nada, me diluí.
Yo era la vida, el Universo ... y,
sólo a Dios vi."
Outro exemplo são as obras de Ibn Arabi, sufi nascido em Murcia em 1164 e falecido em Damasco em 1240, considerado pelos árabes como o "maior dos mestres" e "vivificador da Religião":
"Lo que quiero decir es que tú no eres, o posees tal o tal cualidad, que no existes y que no existirás jamás, ni por ti mismo, ni por El, en El o con El. Tú no puedes cesar de ser, porque no eres. Tú eres El y El es tú, sin ninguna dependencia o casualidad. Si alcanzas a reconocer en tu existencia esta cualidad de la nada, entonces conoces a Alá. En otro caso, no.".
Estes dois trechos são da tradução espanhola, por Roberto Pla (Editorial Sirio S.A. - Málaga, España), do livro "Tratado de La Unidad", escrito por Ibn Arabi.
Jalal ud-Din Rumi, poeta persa do séc XIII, assim se expressou sobre o mundo:
"Este mundo que é nada
e encobre a beleza de Deus
é também sinal e prova de sua presença.
Nossa existência - mero favor
de Shams de Tabriz, obséquio da alma -
encobre sua essência
e diante dela se envergonha."
Poemas Místicos, Divan de Shams de Tabriz
Jalal ud-Din Rumi
Trad. José Jorge de Carvalho, Attar Editorial


6 - Um dos capítulos mais tristes da história ocidental, que compete com as cruzadas no tocante ao distanciamento a justiça e a verdade, foi a guerra do Ópio (1839-1842). Por esta guerra, as potencias ocidentais garantiram a abertura dos portos chineses ao comércio da nefanda droga:
"O ópio era o único produto estrangeiro, controlado por fornecedores estrangeiros, que os consumidores chineses desejavam, ou aprenderam a desejar, em grandes quantidades. Como ocorria com a droga mais suave exportada em troca - o chá, que se dizia ter sido descoberto por Buda para se livrar do sono -, sua demanda parece ter sido determinada pela oferta. Quando, em 1729, a China proibiu pela primeira vez este comércio, calculou-se que as importações eram de cerca de duzentas caixas anuais; em 1767, registraram-se mil caixas; no final da década de 1830, quando este comércio assumiu proporções que ameaçavam com a guerra, mais de dez mil caixas entravam anualmente na China. Para o governo chinês, sua exclusão era, ao mesmo tempo, uma questão de interesse econômico e de retidão moral; para a Inglaterra, a possibilidade de acesso ao mercado chinês era não só um imperativo material, mas também um símbolo da liberdade de comércio. Quando a China procurou energicamente impedir as importações, a Grã-Bretanha a invadiu." Milênio - Uma história de nossos últimos mil anos, Felipe Fernández-Armesto, ed. Record.


7 - O leitor que duvide desta afirmação, que faça uma visita a São Paulo e dê uma caminhada pela região central da cidade, pelo bairro da Liberdade e suas imediações. Vai reparar que muito próximos encontrará igrejas católicas, templos budistas, lojas maçônicas, grupos espíritas, tendas de umbanda, igrejas protestantes, modernas faculdades e - simbolo máximo talvez da cultura americana - lanchonetes de "fast food" como o Mac Donalds.


8 - Vide o trecho transcrito abaixo, do livro "La Espiritualidad Hinduista", de Swami Vivekananda (1863-1902), discipulo de Sri Ramakrishna. Ambos foram grandes reformadores do Hinduísmo na India Moderna e naturalmente depararam-se com a questão das relações entre ocidente e oriente:
"Para um oriental, o mundo do Espírito é tão real quanto o mundo dos sentidos para um ocidental. No mundo espiritual, o oriental encontra o que deseja e espera, nele descobre tudo o que torna real sua vida. Do ponto de vista de um ocidental, o oriental é um sonhador; enquanto que do ponto de vista de um oriental, o sonhador é o ocidental, que lida com coisas efêmeras (que juega con juguetes efemeros) ... Cada um chama de sonhador ao outro.
Porem o ideal oriental é tão necessário ao progresso da humanidade como é o ocidental. As maquinas não tem feito, nem farão jamais, feliz a humanidade ... Estas coisas não os farão felizes, a não ser que vocês levem dentro de sí a força da felicidade (estas cosas no os harán felices, salvo que llevéis dentro la fuerza de la felicidad); a não ser que vocês tenham conquistado a sí próprios.
É verdade que o homem nasceu para conquistar a Natureza, porem, por "Natureza", o ocidental entende somente a natureza física e externa. A natureza externa com suas montanhas, seus mares e seus rios, com suas forças e sua infinita diversidade, é, sem duvida alguma, majestosa; contúdo, existe também a natureza interior do homem, que é mais majestosa ainda ... e nos brinda com outro campo de estudos. Neste sobresai o oriental, da mesma forma que o ocidental sobresai no outro. Portanto, é justo que, quando seja necesário um reajuste espiritual, este venha do Oriente. Também é justo que, quando o oriental queira aprender a construir maquinas, se coloque aos pés do ocidental e aprenda dele; porém, quando o ocidental queira saber coisas do espírito, de Deus e da alma, e do significado e mistério deste universo, há de colocar-se aos pés do oriental para aprender". (cap. El Neo-hinduismo, Espiritualidad Hinduista, Daniel Acharuparambil).


9 - "Iglesia, eu vou colocar algumas sugestões, mas há uma de ordem geral que lhe peço permissão para fazer. Acho que você deveria colocar as posições budistas e espíritas de um modo bem estrito, e depois fazer um comentário, demonstrando a identidade ou semelhança das doutrinas, embora a aparente diferença do discurso, nos casos em que couber, ou demonstrando as diferenças reais. Acho que deve haver uma advertência, esclarecendo que a comparação está sendo feita com o budismo tibetano, porque as doutrinas têm nuanças e é importante respeitá-las. Vivekananda, por exemplo, discorda da interpretação que muitos discípulos de Buda deram a suas lições. Em realidade, o que conhecemos, hoje, do Budismo passa pelos olhos dos discípulos, desde que Buda como Jesus nada escreveu, e são passados 2500 anos de formulações doutrinárias na busca de um melhor entendimento e prática." Elzio Ferreira de Souza (sobre o primeiro esboço do artigo que lhe enviei para análise).

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*Artigo completo publicado em partes nos Boletins GEAE em 2002