allan kardec PSOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS

Discurso de encerramento do ano social (1858-1859) – Parte II

Allan Kardec

É conhecido o provérbio: Dize-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Podemos parodiá-lo em relação aos nossos Espíritos simpáticos, dizendo: Dize-me o que pensas, dir-te-ei com quem andas.

 

Os Espíritos são o que são e nós não podemos alterar a ordem das coisas. Como nem todos são perfeitos, não aceita­mos suas palavras senão com reservas e jamais com a creduli­dade das crianças. Julgamos, comparamos, tiramos conclusões do que observamos e os seus próprios erros constituem ensinamentos para nós, uma vez que não renunciamos ao nosso discernimento.

Estas observações aplicam-se igualmente a todas as teorias científicas que os Espíritos podem dar. Seria muito cômodo se bastasse interrogá-los para se encontrar a Ciência acabada e possuir todos os segredos da indústria. Não conquistamos a Ciência senão à custa de trabalho e de pesquisas. A missão dos Espíritos não é livrar-nos dessa obrigação. Aliás, sabemos que eles não sabem tudo, como que há entre eles pseudo-sábios, assim como entre nós, os quais pensam saber aquilo que não sabem e falam daquilo que ignoram com a mais imperturbável audácia.

Um Espírito poderá, pois, dizer que é o Sol que gira em redor da Terra e não esta; sua teoria não seria mais exata pelo fato de provir de um Espírito. Saibam, pois, aqueles que nos atribuem uma credulidade tão pueril, que tomamos toda opinião emitida por um Espírito como uma opinião pessoal; que não a aceitamos senão depois de havê-la submetido ao controle da lógica e dos meios de investigação fornecidos pela própria Ciência Espírita, meios que vós todos conheceis.

Tal é, senhores, o fim a que se propõe a Sociedade. Não cabe a mim, por certo, vo-lo dizer, posto me agrade recordá-lo aqui, a fim de que minhas palavras repercutam lá fora e nin­guém se equivoque quanto ao seu verdadeiro sentido. De minha parte sinto-me feliz por não ter tido senão que vos acompanhar neste caminho sério, que eleva o Espiritismo à altura das ciên­cias filosóficas. Vossos trabalhos já produziram frutos; incal­culáveis, entretanto, são os que mais tarde produzirão, desde que — disso não tenho dúvidas — continueis nas condições pro­pícias a fim de atrairdes os bons Espíritos ao vosso meio.

O concurso dos bons Espíritos — tal é, com efeito, a con­dição sem a qual não se pode esperar a Verdade; ora, depende de nós obter esse concurso. A primeira condição para merecer­mos a sua simpatia é o recolhimento e a pureza das intenções. Os Espíritos sérios vão onde são chamados seriamente, com fé, fervor e confiança. Eles não gostam de servir de experiência, nem de dar espetáculo. Ao contrário, gostam de instruir aqueles que os interrogam sem ideias preconcebidas. Os Espíritos levianos, que se divertem de todos os modos, vão a toda parte e, de preferência, aos lugares onde encontram uma ocasião para mistificar. Os maus são atraídos pelos maus pensamentos, e por maus pensamentos devemos compreender todos aqueles que não se conformam com os princípios da caridade evangélica. Assim, pois, quem quer que traga a uma reunião sentimentos contrários a esses preceitos, traz consigo Espíritos desejosos de semear a perturbação, a discórdia e a desafeição.

A comunhão de pensamentos e de sentimentos para o bem é, assim, uma condição de primeira necessidade e não é possível encontrá-la num meio heterogêneo, onde tivessem acesso as pai­xões inferiores como o orgulho, a inveja e o ciúme, as quais sempre se revelam pela malevolência e pela acrimônia de lin­guagem, por mais espesso que seja o véu com que se procure cobri-las. Eis o abecê da Ciência Espírita. Se quisermos fechar a porta desse recinto aos maus Espíritos, comecemos por lhes fechar a porta de nossos corações e evitemos tudo quanto lhes possa conferir poder sobre nós. Se algum dia a Sociedade se tornasse joguete dos Espíritos enganadores, é que a ela teriam sido atraídos. Por quem? Por aqueles nos quais eles encontram eco, pois vão aonde são escutados. É conhecido o provérbio: Dize-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Podemos parodiá-lo em relação aos nossos Espíritos simpáticos, dizendo: Dize-me o que pensas, dir-te-ei com quem andas.

Ora, os pensamentos se traduzem por atos; se admitirmos que a discórdia, o orgulho, a inveja e o ciúme não podem ser inspirados senão por maus Espíritos, aqueles que aqui trouxes­sem elementos de desunião suscitariam entraves, com o que in­dicariam a natureza de seus satélites ocultos. Então só poderíamos lamentar sua presença no seio da Sociedade. Deus per­mita que assim não aconteça; e espero que, auxiliados pelos bons Espíritos, se a estes nos tornarmos favoráveis, a Sociedade consolidar-se-á, tanto pela consideração que tiver merecido, quanto pela utilidade de seus trabalhos.

Se tivéssemos em mira apenas experiências para satisfação de nossa curiosidade, a natureza das comunicações seria mais ou menos indiferente, pois nelas veríamos somente o que elas são. Como, porém, em nossos estudos não buscamos uma diversão para nós, nem para o público, queremos comunicações verdadeiras. Por isto necessitamos da simpatia dos bons Espíritos; e esta só é conseguida pelos que afastam os maus com a sinceridade de seu coração.

Dizer que Espíritos levianos jamais deslizaram entre nós para encobrirmos qualquer ponto vulnerável de nossa parte, seria uma presunção de perfeição. Os Espíritos superiores chegaram mesmo a permiti-lo, a fim de experimentar a nossa perspicácia e o nosso zelo na pesquisa da verdade. Entretanto, o nosso raciocínio deve pôr-nos em guarda contra as ciladas que nos po­dem ser armadas e em todos os casos dá-nos os meios de evitá-las.

O objetivo da Sociedade não é apenas a pesquisa dos prin­cípios da Ciência Espírita. Ela vai mais longe: estuda tam­bém as suas consequências morais, pois é principalmente nestas que está a sua verdadeira utilidade.

Ensinam os nossos estudos que o mundo invisível que nos circunda reage constantemente sobre o mundo visível; e no-lo mostram como uma das forças da Natureza. Conhecer os efei­tos dessa força oculta, que nos domina e nos subjuga malgrado nosso, não será ter a chave de muitos problemas, as explica­ções de uma porção de fatos que passam inapercebidos? Se esses efeitos podem ser funestos, conhecer a causa do mal não é ter um meio de preservar-se contra ele, assim como o conhe­cimento das propriedades da eletricidade nos deu o meio de ate­nuar os desastrosos efeitos do raio? Se então sucumbirmos não nos poderemos queixar senão de nós mesmos, porque a igno­rância não nos servirá de desculpa. O perigo está no império que os maus Espíritos exercem sobre as pessoas, o que não é apenas uma coisa funesta, do ponto de vista dos erros de prin­cípios que eles podem propagar, como ainda do ponto de vista dos interesses da vida material. Ensina a experiência que não é impunemente que nos abandonamos ao domínio dos maus Espí­ritos. Porque suas intenções jamais podem ser boas. Uma de suas táticas para alcançar os seus fins é a desunião, pois sabem muito bem que podem facilmente dominar quem estiver sem apoio. Assim, o seu primeiro cuidado, quando querem apode­rar-se de alguém, é sempre inspirar-lhe a desconfiança e o isolamento, a fim de que ninguém possa desmascará-los, escla­recendo a vítima com conselhos salutares. Uma vez senhores do terreno, podem à vontade fascinar a pessoa com promessas sedutoras, subjugá-la por meio da lisonja às suas inclinações, para o que aproveitam os lados fracos que descobrem a fim de melhor fazê-la sentir, depois, a amargura das decepções, feri-la nas suas afeições, humilhá-la no seu orgulho, e, muitas vezes, elevá-la por um instante, apenas, para a precipitar de mais alto.

Eis, senhores, o que nos mostram os exemplos que a cada momento se desdobram aos nossos olhos, tanto no mundo dos Espíritos quanto no mundo corpóreo, circunstância que pode­mos aproveitar para nós próprios, ao mesmo tempo que pro­curamos torná-la proveitosa aos outros.

Entretanto, perguntarão se não atrairemos os maus Espí­ritos, evocando homens que foram o rebotalho da' sociedade.

Não, porque jamais sofremos a sua influência. Só haverá perigo quando é o Espírito que se impõe; nunca, porém, quando nos impomos ao Espírito. Sabeis que tais Espíritos não atendem ao vosso chamado senão constrangidos e forçados; que em geral se acham tão deslocados em vosso meio que têm pressa em retirar-se. Para nós sua presença é um estudo, porque par conhecer é necessário ver tudo. O médico não chega ao apogeu do conhecimento senão sondando as mais hediondas chagas.

Ora, essa comparação do médico é tanto mais justa quanto mais sabeis das chagas que temos curado e dos sofrimentos que temos aliviado. Nosso dever é mostrar-nos caridosos e benevolentes para com os seres de além-túmulo, assim como para c nossos semelhantes.

Senhores, pessoalmente eu desfrutaria de um privilégio estranho se tivesse ficado ao abrigo da crítica. Não nos pomos em evidência sem nos expormos aos dardos dos que não pensai como nós. Há, porém, duas espécies de crítica: uma que é malévola, acerba, envenenada, na qual o ciúme se trai a cada palavra; a outra, que visa à sincera procura da verdade, tem características absolutamente diversas. A primeira só merece o desdém. Jamais com ela me preocupei. Só a outra é discutível.

Algumas pessoas disseram que fui muito precipitado nas teorias espíritas, que ainda não era tempo de estabelecê-las, pois as observações não estavam completas.

Permiti-me algumas palavras sobre o assunto.

Duas coisas há que considerar no Espiritismo: a parte experimental e a filosófica ou teórica.

Abstração feita do ensino dos Espíritos, pergunto se, em meu nome, não tenho, como qualquer outra pessoa, o direito de elucubrar um sistema filosófico. Não está o campo da opinião aberto a todo mundo? Por que, então, não posso dar a conhecer o meu? Cabe ao público julgar se ele tem ou não tem sentido.

Mas essa teoria, em vez de me conferir qualquer mérito, se mérito existe eu declaro que emana inteiramente dos Espíritos.

Vá lá que seja, dirão alguns; mas isto é ir muito longe

Aqueles que pretendem dar a chave dos mistérios da Criação, desvendar o princípio das coisas e a natureza infinita de Deus, não vão mais longe do que eu, que declaro, em nome dos Espíritos, que não é dado ao homem aprofundar essas coisas sobre as quais só podemos fazer conjecturas mais ou menos prováveis?

   Andais muito depressa.

   Mas seria erro tomar a dianteira a certas pessoas? Aliás, quem as impede de marchar?

   Os fatos não estão ainda suficientemente observados.

   Mas se, certo ou errado, eu creio tê-los observado sufi­cientemente, devo esperar as boas disposições dos que ficam para trás? Minhas publicações não barram o caminho a nin­guém.

   Sendo os Espíritos sujeitos a erro, quem vos diz que aqueles que vos deram instruções não se tenham enganado?

   Toda a questão reside nisto: a objeção de precipitação é muito pueril. Ora! Eu devo dizer em que se funda a minha confiança na veracidade e na superioridade dos Espíritos que me instruíram. Para começar direi que, conforme o seu con­selho, nada aceito sem controle e sem exame; só adoto uma ideia quando esta me parece racional, lógica e concorde com os fatos e as observações, desde que nada de sério venha con­trariá-la. Entretanto, meu julgamento não poderá ser um cri­tério infalível. O assentimento que encontrei por parte de pes­soas mais esclarecidas do que eu dá-me a primeira garantia. Mas eu encontro outra não menos preponderante no caráter das comunicações que foram feitas, desde que me ocupo de Espiri­tismo. Jamais — posso dizê-lo — escapou uma única dessas palavras, um só desses sinais pelos quais sempre se traem os Espíritos inferiores, mesmo os mais astuciosos. Jamais dominação; jamais conselhos equívocos ou contrários à caridade e à bene­volência; jamais prescrições ridículas. Longe disso, neles só encontrei pensamentos grandes, nobres, sublimes, isentos de pe­quenez e de mesquinharia. Numa palavra, suas relações co­migo, nas menores como nas maiores coisas, foram sempre tais que, se tivesse sido um homem que me falasse, eu o teria con­siderado o melhor, o mais sábio, o mais prudente, o mais moral e o mais esclarecido.

Senhores, aqui estão os motivos de minha confiança, cor­roborada pela identidade do ensino dado a uma porção de outras pessoas, antes e depois da publicação de minhas obras. O futuro dirá se estou certo ou errado. Enquanto isto, creio ter ajudado o progresso do Espiritismo, colocando algumas pe­dras em seu edifício. Mostrando que os fatos podem assen­tar-se no raciocínio, terei contribuído para fazê-lo sair do cami­nho frívolo da curiosidade, a fim de fazê-lo entrar na via séria da demonstração — única apta a satisfazer os homens que pen­sam e que não se detêm na superfície.

Termino, meus senhores, pelo rápido exame de uma questão atual.

Fala-se de outras sociedades que desejam rivalizar com a nossa.

Dizem que uma delas conta 300 membros e possui impor­tantes recursos financeiros. Quero crer que não seja uma fanfarronada, tão pouco elogiável para os Espíritos que a tivessem suscitado quanto para aqueles que se lhe fizeram eco. Se for uma realidade, nós a felicitamos sinceramente, desde que ela obtenha a necessária unidade de sentimentos para frustrar a influência dos maus Espíritos e consolidar a sua existência.

Desconheço completamente quais são os elementos da so­ciedade ou das sociedades que dizem em formação. Farei apenas uma observação geral.

Há em Paris e alhures uma porção de reuniões íntimas, como outrora foi a nossa. Nelas se trata mais ou menos seriamente das manifestações espíritas, sem falar dos Estados Unidos, onde elas se contam aos milhares. Conheço algumas nas quais as evocações são feitas nas melhores condições e onde são obtidas coisas notáveis. É a consequência natural do nú­mero crescente de médiuns, que se desenvolvem de todos os lados, a despeito dos sarcasmos. E quanto mais avançarmos, mais se multiplicarão esses centros.

Formados espontaneamente de elementos muito pouco nume­rosos e variáveis, esses centros nada têm de fixo nem de re­gular e não constituem sociedades propriamente ditas. Para uma sociedade regularmente organizada faltam-lhes condições de vi­talidade completamente diversas, em razão do próprio número de pessoas que as compõem, de sua estabilidade e permanência. A primeira dessas condições é a homogeneidade de princípios e da maneira de ver. Toda sociedade formada de elementos heterogêneos traz em si o germe da dissolução. Podemos con­siderá-la natimorta, seja qual for o seu objetivo: político, re­ligioso, científico ou econômico.

Uma sociedade espírita requer outra condição — a assistência dos bons Espíritos — se quisermos obter comunicações sérias. Porque dos maus, caso lhes permitamos tomarem pé, nada obtere­mos senão mentiras, decepções e mistificação. Este é o preço de sua própria existência, pois que os maus serão os primeiros agentes de sua destruição. Eles a minarão pouco a pouco, caso não a derrubem logo de início.

Sem homogeneidade não haverá comunhão de pensamentos e, portanto, não serão possíveis nem calma nem recolhimento. Ora, os bons só se apresentam onde encontram tais condições. E como encontrá-las numa reunião onde as crenças são diver­gentes, onde alguns nem mesmo creem e, por conseguinte, onde domina incessantemente o espírito de oposição e de controvér­sia? Eles só assistem aos que desejam ardentemente esclarecer-se para o bem, sem segundas intenções, e não para satisfazer uma vã curiosidade.

Querer formar uma sociedade espírita fora destas condições seria dar provas da mais absoluta ignorância dos princípios mais elementares do Espiritismo.

Somos os únicos capazes de os reunir? Seria desagradável e muito ridículo assim pensar. Aquilo que nós fizemos, outros podem fazê-lo. Que outras sociedades se ocupem, então, de tra­balhos iguais aos nossos, prosperem e se multipliquem. Tanto melhor; mil vezes melhor, porque será um sinal de progresso nas ideias morais. Tanto melhor, sobretudo se forem bem as­sistidas e se tiverem boas comunicações, das quais não pretende­mos possuir o privilégio. Como só visamos à nossa instrução pessoal e ao interesse da Ciência, que a nossa sociedade não oculte nenhuma ideia e especulação direta ou indireta, nenhuma ambição, e que sua existência não repouse sobre uma questão de dinheiro. Que as outras sociedades sejam consideradas como nossas irmãs e não concorrentes. Se formos invejosos, prova­remos que somos assistidos por maus Espíritos. Se uma delas se constituísse para nos criar rivalidades, com a ideia precon­cebida de nos suplantar, por seu objetivo revelaria a própria natureza dos Espíritos que presidiram à sua formação, desde que um tal pensamento nem seria bom, nem caridoso, e os bons Espíritos não simpatizam com os sentimentos de ódio, ciúme e ambição.

Aliás, nós possuímos um meio infalível para não temer ne­nhuma rivalidade. É o que nos dá São Luís: Compreendei-vos e amai-vos, disse-nos ele. Trabalhemos, pois, para nos com­preendermos; lutemos com os outros, mas lutemos com caridade e abnegação. Que o amor do próximo esteja inscrito em nossa bandeira e seja a nossa divisa. Com isto desafiaremos a zomba­ria e a influência dos maus Espíritos. Neste particular poderão igualar-nos. Tanto melhor, pois serão irmãos que nos chegam. De nós depende, entretanto, não sermos nunca ultrapassados.

Mas, dirão, vós tendes uma maneira de ver que não é a nossa; não podemos simpatizar com princípios que não admiti­mos, porque nada prova que estejais com a verdade. A isto res­ponderei: nada prova que eles estejam mais certos do que nós, pois que ainda duvidam e a dúvida não é uma doutrina. A gente pode divergir de opinião sobre pontos da Ciência sem se morder nem atirar pedras, o que é pouco digno e pouco científico. Procurem, pois, do seu lado, como nós procuraremos do nosso. O futuro dará razão a quem de direito. Se nos enganarmos, não teremos o tolo amor-próprio de persistir em ideias falsas. Há, porém, princípios sobre os quais temos a certeza de não estar enganados: é o amor do bem, a abnegação, a abjuração de todo sentimento de inveja e de ciúme.

Estes são os nossos princípios, com os quais sempre é pos­sível simpatizar sem comprometimento: é o laço que deve unir todos os homens de bem, seja qual for a sua divergência de opinião. Só o egoísmo põe de permeio uma barreira intrans­ponível.

São estas, meus senhores, as observações que acreditei dever apresentar-vos ao deixar as funções que me confiastes. Do Fundo do coração agradeço a todos aqueles que me testemunharam simpatia. Aconteça o que acontecer, minha vida está consagrada à obra que empreendemos e eu me sentirei feliz se meus esforços puderem ajudar a fazê-la entrar no caminho sério que é a sua essência, a única que lhe pode assegurar o futuro.

O fim do Espiritismo é melhorar aqueles que o compreendem. Procuremos dar o exemplo e mostrar que, para nós, a doutrina não é letra morta. Numa palavra, sejamos dignos dos bons Espíritos, se quisermos que eles nos assistam. O bem é uma couraça contra a aqual virão sempre quebrar-se as armas da malevolência.

Fonte: Kardec, A. Revista Espírita, Ano 1859, Edicel, p. 187-202.

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