Discussão no Grupo Espírita Amelie Boudet - Facebook - Coordenador Eric Tavares Pacheco em 22/09/2019

A questão da manifestação de espíritas na política é outra polêmica, cujo paradigma de que todo espírita não se deve envolver na política, deve ser quebrado.

Todo e qualquer espírita é antes de tudo um cidadão com direitos e deveres assumidos na sociedade em que vive, em qualquer país do mundo. O espírita jamais se deve acomodar e ser taxado de bonzinho. Ele deve participar ativamente em todas as ações possíveis na sociedade em que vive, pois vivemos em sociedade e temos que lutar por uma sociedade melhor, ou seja, um mundo melhor. Isso passa pela discordância de muitas ideias e ações.

A política verdadeira, honesta, responsável e dedicada à favor da sociedade é uma das atividades mais nobres à disposição do ser humano. Pessoas corruptas, desonestas, mal intencionadas existem em todos os lugares e atividades e devem ser combatidas dentro das normas legais.

O posicionamento político de uma grande personalidade espírita, ou mesmo de qualquer um, não deve refletir, de maneira alguma, o Espiritismo, o qual defende a reforma íntima do homem e a vida no Bem Comum. Ninguém tem autoridade para representá-lo. Isso é uma decisão pessoal de cada um e não deve ser vista mais do que a sua opinião pessoal, que pode ser aceita ou não por qualquer um, mas não misturar como a voz de um "Líder espiritual". Isso não existe!

Posso concordar ou não se a pessoa é de direita, ou esquerda, ou centro, etc. Certamente, tomar uma decisão dessa é muito difícil pois irá agradar a muitos e ser odiado por outros. Mas respeitar incondicionalmente o direito do cidadão e o seu livre-arbítrio de pensamentos e manifestações é, eu diria, um dever do espírita. Lembre-se: a sua visão hoje pode mudar completamente amanhã!

Divaldo Franco tomou decisão de se manifestar publicamente, enquanto Chico Xavier não. Por acaso, Chico não tinha seu posicionamento pessoal na política? Para mim, nada muda e tudo permanecerá seguindo normalmente.

Kardec alerta a todos sobre o problema da mistura do espiritismo com a política. Isso é outra coisa. As casas espíritas, centros, grupos, associações, etc. não se devem evolver com a política, pois assim deixariam de ser instituições conforme seus objetivos.

Kardec se manifesta contrário a isso, mas a participação de espíritas na atividade política deve ser incentivada, principalmente em nosso tempo, ao espírita que sente no coração e segue os princípios básicos da filosofia que é a solidariedade e fraternidade para o Bem Comum. Com essa meta, aí sem dúvida, estará trabalhando para a nobre missão da política, com honestidade, respeito, dedicação, responsabilidade e amor. Esse terá meu apoio! 23/10/2019


Sobre o autor

Raul Franzolin Neto: nasceu em Botucatu-SP e desenvolveu sua infância e adolescência em Itatinga-SP. Formou-se Médico Veterinário e tornou-se Professor Titular e pesquisador da USP. Escritor e médium espírita foi o fundador do primeiro grupo espírita da internet, o GEAE - Grupo de Estudos Avançados Espíritas. Atualmente é o editor principal e webdesigner da página do GEAE.