kardecquem foi Allan Kardec
Rêgo, M. Quem foi: Allan Kardec. Jornal Ciência Espírita
 
 
Os princípios fundamentais do Espiritismo encontram-se bem definidos no belo discurso proferido por Allan Kardec por ocasião do dia de finados publicado na  Revue Spirite de dezembro de 1868 (vide Boletim GEAE 277):

  1. Crer num Deus todo-poderoso, soberanamente justo e bom;
  2. crer na alma e na sua imortalidade;
  3. na preexistência da alma como única justificativa da presente existência;
  4. na pluralidade das existências como meio de expiação, reparação e adiantamento intelectual e moral;
  5. na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos;
  6. na felicidade crescente com a perfeição;
  7. na remuneração equitativa do bem e do mal, segundo o principio: a cada um segundo as suas obras;
  8. na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para criatura alguma;
  9. na duração da expiação limitada à da imperfeição;
  10. no livre-arbítrio do homem, deixando-lhe a escolha entre o bem e o mal;
  11. crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível;
  12. na solidariedade que liga todos os entes passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados;
  13. considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterna;
  14. aceitar corajosamente as provas, visto ser o futuro mais desejável que o presente;
  15. praticar a caridade por pensamentos, palavras e obras, na mais ampla acepção do vocábulo;
  16. esforçar-se cada dia para ser melhor do que na véspera, extirpando da alma alguma imperfeição;
  17. submeter todas as suas crenças ao controle do livre exame e da razão e nada aceitar por uma fé cega;
  18. respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam e não violentar a consciência de ninguém;
  19. ver enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus".

 

Codificação Espírita

Allan Kardec empreendeu o trabalho de pesquisa científica dos fenômenos mediúnicos, analisando cuidadosamente as informações recebidas de ampla diversidade de espíritos e suas consequências filosóficas e morais. Com todo esse trabalho, Kardec compilou um vasto conjunto de conhecimentos criando a palavra "Espiritismo" ou Doutrina Espírita para designá-lo, constituindo-se na "Codificação Espírita". Fenômenos chamados de sobrenaturais sempre existiram na Terra permanencendo restritos de forma isolada, sem uma visão global e de continuidade.

Com a codificação espírita retirou-se um véu sobre o conhecimento da vida para humanidade.

 

Obras da codificação:

  • O Livro dos Espíritos (18 de abril de 1857)
  • O Livro dos Médiuns (janeiro de 1861)
  • O Evangelho Segundo o Espiritismo (abril de 1864)
  • O Céu e o Inferno (agôsto de 1865)
  • A Gênese (janeiro de 1868)

 Obras complementares:

  • Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas (1858)
  • O Espiritismo em sua mais Simples Expressão (1858)
  • O que é o Espiritismo (1859)
  • Viagem Espírita em 1862 (1862)
  • Catálogo Sistemático das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita (1869)
  • Revista Espírita (1858-1869)

Após sua morte em 31/03/1869:

  • Obras Póstumas (1890)

 

Aspecto religioso do Espiritismo

Os aspectos religiosos do Espiritismo referem-se as suas consequências e aplicações nos domínios da Religião, que por definição segundo Léon Denis envolve a "concepção geral que, do mais intimo da vida interior, eleva o pensamento às culminâncias da Criação até Deus e liga todos os seres numa cadeia interminável" .

 

Espiritismo e Espiritualismo

 
Na Introdução ao Livro dos Espíritos, Kardec nos esclarece o porque da utilização do termo "Espiritismo" empregado para designar toda a doutrina ensinada pelos espíritos.
As palavras Espiritualismo e Espiritual relacionam-se em oposição ao Materialismo. O Materialista é aquele que crê somente na matéria, ou seja, naquilo que ele pode ver, e portanto, tudo se acaba com a morte. O Espiritualista crê em algo além da matéria, ou seja, que o homem sobrevive após a morte corporal, de alguma forma, como Espírito, Alma, Ego, etc. Existem diversas filosofias espiritualistas.
O Epiritismo é também oposto ao materialismo, porém se baseia na existência eterna dos Espíritos em longa jornada de evolução espiritual, e ainda nas comunicações existentes entre os planos espiritual (mundo invisível) e corporal (mundo visível). O Espírita ou Espiritista é o adepto do Espiritismo. 
Assim o Espírita é também um Espiritualista, mas nem todo o Espiritualista é um Espírita.
O que caracteriza o Espírita é a sua vivência segundo os postulados espíritas na confiança de que somos seres vivendo transitoriamente em mundos físicos, com finalidades educativas, e que o único determinismo é o aperfeiçoamento constante do espírito imortal.
"O verdadeiro Espírita não é aquele que simplesmente crê nas manifestações espíritas, mas aquele que faz bom proveito dos ensinamentos dados pelos Espíritos. Nada adianta acreditar se a crença não faz com que se de um passo adiante no caminho do progresso e que não o faça melhor para com o próximo" (Allan Kardec, O Espiritismo em sua expressão mais simples).
 
 
O Espiritismo Segundo Allan Kardec nos Dias de Hoje
 
   
 
  1. A doutrina espírita ou Espiritismo é uma filosofia de vida, que tem por base a busca da verdade no conhecimento real do ser humano envolvendo a diversas fases da vida, como ser ligado a matéria ou ao corpo físico e em continuidade na forma espiritual após a morte física. É, em tempo único, uma filosofia com uso racional e lógico do saber, uma ciência de observação e experimentação e uma religião atípica capaz de colocar o homem em contato direto com a vida extracorpórea e suas consequências.

  2. Como doutrina, o espiritismo abre uma ampla visão das grandes características essenciais da vida com informações coerentes somente acessíveis com a comunicabilidade entre os mundos visível e invisível. Como ciência de observação e experimentação deixa livre ao homem o caminho aberto das comprovações científicas com metodologias definidas das informações obtidas através de todos os meios disponíveis, quer de espíritos encarnados ou desencarnados. Como religião atípica, estimula a organização da comunhão de pensamentos sem regras burocráticas hierárquicas e promove a fraternidade universal, difundido o amor como meio absoluto de se ligar à Deus na construção e manutenção da vida.

  3. A evolução espiritual eleva a inteligência humana no caminho da felicidade eterna. Deus é a inteligência suprema e causa primaria de todas as coisas. A sua compreensão fica limitada ao grau evolutivo de cada ser em todas as fases da vida eterna. Quanto mais evoluído mais se aproxima de Deus.

  4. Deus tudo criou e cria desde a matéria ao espírito. O espírito é o ser inteligente, individual e eterno. Criado ignorante e grosseiramente ligado aos mundos materiais segue em marcha constante de aperfeiçoamento moral e intelectual até se tornar livre da matéria. É, portanto, imaterial, mas como elo ligado à matéria mantém um invólucro semi-material, chamado de perispírito, que é uma espécie de corpo fluido. O períspirito vai sendo purificado pelo espírito até que o invólucro não seja mais necessário e o espírito atinge o grau de Espírito Puro.

  5. Quando da sua criação, o Espírito recebe a chama da vida com as Leis de Deus gravadas em sua consciência. A Lei do Livre-abítrio lhe permite que ele decida sobre o que lhe convém seguir: (1) o caminho do bem como forma mais rápida e feliz de evolução espiritual ou (2) o caminho do mal com os entraves e as consequências dolorosas que deve enfrentar. Entretanto, todos os Espíritos são criados em mesmas condições e iguais, sem privilégios ou prejuízos a ninguém e todos alcançarão o estado de purificação mais cedo ou mais tarde.

  6. Deus é soberanamente justo e bom e suas Leis são imutáveis mantendo a harmonia universal da vida. O rompimento de qualquer Lei de Deus promove consequências desagradáveis e necessárias ao reequilíbrio do espírito infrator, tal qual a conduta no caminho do mal. Por outro lado, as observâncias das Leis Divina promovem evolução mais elevada do espírito e momentos felizes maiores e mais frequentes baseado no mérito da ação promovida. Assim, aquele que segue a Leis Divina adquiri o mérito de seu trabalho no qual contribuiu para o bem comum e a felicidade de contemplar novo patamar de sabedoria e momentos felizes.

  7. Na saga da evolução do espírito ele passa por muitos e longos processos de encarnação, que significa a sua ligação a um corpo físico que o abandona com a morte, ou seja, com a desencarnação. A alma do homem nada mais é do que o próprio espirito encarnado. A reencarnação não se restringe apenas ao planeta Terra, e sim, aos infinitos planetas e locais materiais que sevem de moradas temporárias aos espíritos que habitam os mundos disseminados no espaço e no plano espiritual.

  8. A cada nova reencarnação o espírito se aperfeiçoa e se torna um pouco melhor, seguindo em progressão continua até a perfeição, livre da matéria. Nesse estado não há mais necessidade de reencarnações em mundos materiais, vivendo em seu verdadeiro estado espiritual.

  9. Diante da evolução espiritual e eterna, não há retrocesso. Uma vez atingido um ponto evolutivo ele progride constantemente. Entretanto, devido ao seu próprio desejo ou livre-arbítrio ele pode ter tão pequena evolução que permanece praticamente no mesmo ponto, podendo perdurar imenso período de tempo. Os sofrimentos indesejáveis, tanto físico quanto moral são, portanto, temporários.

  10. O tempo a que estamos acostumados a delimitar em horas, dias, meses e anos não existe diante da eternidade e, assim, não se pode definir a idade do espírito e seu tempo utilizado em reencarnações e vivências na erraticidade (mundo espiritual).

  11. O espírito no todo é constituído pelos aspectos moral e intelectual. As duas características purificadas são intrínsecas aos espíritos puros, entretanto, elas não são buriladas ou aperfeiçoadas ao mesmo tempo e da mesma forma. O progresso intelectual depende de aprendizado dedicado e competente que se faz com a ajuda de outros espíritos, porem o progresso moral é muito mais difícil pois passa por processos dolorosos como humilhação, sofrimentos, etc. Com a experiência de vida o espírito vai praticando, dentro das Leis de Deus, o amor e a caridade ao próximo.

  12. Os mundos habitáveis pelos espíritos encontram-se em diferentes graus de evolução, de acordo com a evolução espiritual da maioria de seus habitantes. São como escolas onde os estudantes passam de sala em sala e de escola em escola conforme seu grau de estudo e aprendizado adquirido. O planeta Terra encontra-se ainda em estágio atrasado de evolução estando em fase transitória de crescimento espiritual para habitantes de mundo regenerado.

  13. Espíritos mais evoluídos podem vir a reencarnar em mundos inferiores aos seus com a finalidade de promover exemplos de vida para ensinar o melhor caminho para o crescimento espiritual. Esse processo, entretanto, não é a regra natural e sim exceção, principalmente em casos de espíritos de alta Luz, tendo em vista a grande dificuldade imposta pela barreira da natureza do espírito. São casos de aceitação voluntária em consonância com os critérios da Providência Divina.

  14. A Providência Divida envolve uma infinita plêiade de espíritos puros que coordenam os processos evolutivos da vida nos inumeráveis mundos habitados e nos existentes no plano espiritual, mantendo uma hierarquia onde os mais evoluídos ajudam os espíritos que se encontram em menor grau de evolução.

  15. Cada reencarnação é uma nova oportunidade de vida ao espírito no avanço de seu processo evolutivo. Por isso, o esquecimento de suas vidas passadas é fundamental para que tenha um novo caminho livre de suas atividades traumáticas e constrangedoras, principalmente vivendo ainda em mundos inferiores. Entretanto, o esquecimento não é pleno e o espírito mantem os gostos e desejos de vidas anteriores, continuando suas atividades em áreas semelhantes, como por exemplo nas artes, música, educação, ciência, meio rural, natureza, etc. Assim, Deus não define simplesmente um determinado dom a uma pessoa, e sim, Ele permite pelas Leis Divina que o espírito a demonstra fortemente numa reencarnação, graças a sua grande dedicação e experiência já vividas em outras vidas regressas. Mas as múltiplas experiências são importantes ao espírito.

  16. A escolha das atividades ligadas à reencarnação para o adiantamento espiritual incluindo o local e circunstâncias cabe ao espírito mediante aconselhamento de espíritos superiores que analisam caso a caso no mundo espiritual. Tudo deve ser avaliado diante das reencarnações passadas, analisando os pontos positivos que promoveram o crescimento espiritual e os pontos negativos que estacionaram o adiantamento, ou seja, os méritos realizados e as responsabilidades pela infração das Leis de Deus. Assim, o espírito define a linha de ação melhor apropriada ao seu adiantamento para uma nova reencarnação.

  17. Quanto mais inferior for o espírito, mais árdua e trabalhosa são as provas no resgate de suas atividades infelizes em cada existência corporal. Entretanto, as provas são proporcionais ao seu grau de adiantamento, obtendo maior mérito ao cumprir dificuldades maiores realizadas com sucesso no aperfeiçoamento moral e também intelectual. Por isso é que muitas vezes o espírito tem que realizar uma nova atividade diante da negligência vivida anteriormente ou da atividade mal realizada.

  18. A vida do espírito definitiva e eterna é realizada no plano espiritual, enquanto que a vida corpórea é transitória com tempo limitado à sua necessidade. A morte apenas finda a sua participação corpórea. Com o desencarne ele continua a sua jornada infinita.

  19. As reencarnações ocorrem em diferentes mundos conforme o grau evolutivo de cada espírito. Aos inferiores, os mundos atrasados são verdadeiros purgatórios que impõem grandes dificuldades e sofrimentos na purificação da brutalidade do espírito. Aos espíritos superiores, os mundos habitados são mais felizes até atingir a purificação livre da matéria.

  20. A justiça Divina é perfeita e, portanto, ninguém é condenado a viver eternamente em provas dolorosas e tristes por mais inferior que o espírito aparente para nós; sempre haverá novas oportunidades de reparo ao mal cometido. Tudo depende do arrependimento e na vontade de mudanças de atitudes no caminho do bem comum. Assim, não há o inferno como meio de abrigo de almas condenadas eternamente.

  21. Não existe o princípio do pecado original. O espírito só é responsável por suas próprias ações desde o momento de sua criação.

  22. A diversidade imensa existente entre os espíritos no aspecto moral como aptidão para o bem ou mal, compaixão e desrespeito ao próximo, amor e ódio, responsabilidade e negligência e tantas outras, assim como, no aspecto intelectual como inteligência e ignorância é fruto das experiências adquiridas ao longo da vida eterna regidas pelas Leis de Deus. Assim, não há como identificar o nível evolutivo de uma pessoa no momento em que se encontra reencarnada na Terra, pois não há condições de se conhecer todo o seu pregresso evolutivo.

  23. Tendo em vista o conhecimento de que a vida é eterna e não apenas a considerada existência Terrena, todos são colocados na mesma condição, independentemente do tempo vivido na Terra, tanto com um desencarne natural com longo tempo, de 80, 90 ou 100 anos, como um desencarne precoce, como um bebê ou uma criança de pouco tempo de vida.

  24. Da mesma forma, todos os espíritos estão vivendo na Terra na mesma condição sujeitos a evolução eterna de acordo com as Leis de Deus, independente do estado corporal a que se encontram no momento, quer com um corpo físico normal ou deficiente em seus diversos graus de formação. É o espírito que está em franca evolução.

  25. Em rumo a eterna evolução, os espíritos são atraídos por laços de afinidades conforme os diferentes graus que adquirem ao longo das existências. Quanto maior a afinidade mais fortes são os elos da fraternidade e amor entre eles. É por isso que, embora uma pessoa nunca tenha visto uma determinada outra, possa haver grande atração de amizade por alta grau de afinidade espiritual. Da mesma forma, em que pode haver um alto grau de repudio entre dois indivíduos.

  26. Quando se inicia uma nova reencarnação, principalmente em mundos inferiores, o espírito recebe ajuda constante de um outro capaz de auxilia-lo durante todo o seu processo reencarnatório, protegendo-o de dificuldades perigosas. Ele recebe orientação através da mediunidade intuitiva para que possa seguir o seu caminho conforme planejamento realizado em conjunto antes da reencarnação. Esses espíritos são chamados de Espíritos Protetores, ou Guias Espirituais.

  27. Esporadicamente espíritos superiores, chamados de Espíritos Missionários, encarnam na Terra com a finalidade de auxiliar o progresso da humanidade. Dentre os vários Espíritos Missionários que praticaram e ensinaram a Lei do amor e caridade, destaca-se o Cristo. Ele transmitiu conhecimentos fundamentais sobre as Leis de Deus falando mediante parábolas como linguagem adequada à melhor compreensão da humanidade na época.

  28. O Espiritismo traz a revelação de conhecimentos complementares para um novo tempo de evolução da Terra. Revela à humanidade o controle total da vida pela existência de Deus, causa primária de todas as coisas; a existência da continuidade da vida após a morte em longa jornada evolutiva; a existência do mundo invisível aos nossos olhos povoados por espíritos de diferentes níveis evolutivos; a possibilidade de comunicação entre os mundos visível e invisível; a reencarnação em diferentes mundos materiais como processo de crescimento espiritual; a verdadeira justiça Divina segundo o princípio “a cada um segundo suas obras”; a misericórdia de Deus pela inexistência das penas e sofrimentos eternos; o progresso dos mundos habitados pelo progresso dos espíritos que os habitam; a aceleração evolutiva de um planeta devidamente planejada com a encarnação de Espíritos Missionários; a felicidade crescente com a obediência das Leis de Deus; enfim, revela que somos um ser real, individual e eterno em constante crescimento espiritual.

 

Fonte: Raul Franzolin Neto - Boletim GEAE 560, Junho de 2016; Boletim GEAE 561, Julho 2016