BOLETIM GEAE | ANO 24 | NÚMERO 552 | OUTUBRO DE 2015

Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade" Allan Kardec

 

 

Grupo de Estudos Avançados Espíritas  GEAE

Primeiro Grupo Espírita da Internet

Conselho Editorial:

Raul Franzolin Neto

Carlos Alberto Iglesia Bernardo

José Cid

Renato Costa

Para reprodução e uso de textos e fotos consulte nossa homepage:http://geae.net.br

Editorial

 

O GEAE como grupo virtual publicou muitos artigos, textos e discussão geral em seus Boletins contribuindo com o movimento espírita sob a luz da doutrina codificada por Allan Kardec. Todos os boletins estão disponíveis em nossa homepage: http://geae.net.br

Após três anos da última edição do Boletim, nosso trabalho simples prossegue agora visando obter maiores conhecimentos do plano espiritual e sua inter-relação com a vida na Terra, conforme o avanço dos tempos.

O nosso objetivo é utilizar de informações disponíveis para que em livre pensamento possam passar pelo crivo da razão de cada um de nossos leitores contribuindo com a sua jornada na evolução espiritual eterna.

Allan Kardec em seu trabalho sempre teve a preocupação na divulgação das informações obtidas quer através dos espíritos desencarnados em sessões espíritas quer de correspondências de pessoas de várias partes do mundo.

Sua habilidade na avaliação detalhada das informações com o acompanhamento direto dos espíritos responsáveis pela codificação espírita foi decisiva para o sucesso obtido com a apresentação da doutrina espírita na Terra com o marco em 18 de abril de 1857.

Retornamos neste mês de outubro em que completamos 23 anos de existência. Seguimos em frente adotamos como guia o exemplo deixado pelo codificador.

 

Artigos

 

      Mudanças nos tempos de hoje

Mudanças nos dias de hoje

 

“...Há uma explosão de ideias e trabalho para os cérebros humanos na reflexão e fraternidade. Perigos certamente existem, mas eles serão sufocados pelas mentes sedentas de justiça e respeito ao semelhante, segundo a regra espiritual, cada um colhe o que planta”

Raul Franzolin Neto


       O mundo de fato está se tornando um só! Novos tempos impõem mudanças mais acentuadas na vida social de cada país. O difícil é entender como isso ocorre e acompanhar as alterações que, em determinadas áreas, são drásticas. Outras ainda resistem, mas acabam por acontecer com o tempo.

O planeta sempre evoluiu em todos os aspectos, mas lentamente. Muitas comunidades ficaram praticamente paradas no tempo e isoladas do mundo como um todo.

O grande salto na curva evolutiva se deve a criação do meio mais eficiente de comunicação social, o computador. A partir daí, um novo patamar bem mais elevado se criou na humanidade.

Num documentário de TV, "Next World – Future Intelligence", o apresentador inicia em um das séries com a seguinte frase: "...o cérebro humano é capaz de fazer 100 trilhões de cálculos por segundo e até 2050, seu desktop computador terá o potencial para processar o equivalente a 9 bilhões de cérebros". Especialistas em tecnologia da informação podem prever de alguma forma o que se espera da humanidade daqui alguns anos.  Mas ao observarmos as mudanças que estão ocorrendo em nosso tempo, podemos imaginar que o mundo será bem diferente do atual.

Nada é mais importante e eficiente em promover mudanças na vida social do que a comunicação entre os seres humanos. Uma sociedade isolada não é capaz de produzir inovação e criatividade de modo marcante em curto prazo. Ela sobrevive diante das necessidades básicas e caminha lentamente.

O poder da comunicação é mesmo impressionante! Há poucos anos tínhamos nosso círculo de amizades e de trabalho bem restrito. O trabalho emperrava em atividades estritamente manuais, papéis, longo tempo para ações simples e tudo seguia lentamente. Como imaginar hoje um sistema bancário, fábricas e processamento de produtos, transporte aéreo, logística de produção, previsão de tempo, etc. sem informatização, ou seja, a vida sem nenhum computador?

As redes sociais nos tornam muito mais poderosos. Cada ser humano tem maior potencial no mundo globalizado. No futuro breve seremos capaz de influenciar significativamente em decisões que beneficiarão milhares de pessoas em qualquer sociedade mundial. Seremos eleitores mundiais no controle da vida. Dessa forma a preservação do planeta por muito está garantida, conforme o Projeto Terra Regenerada.

Atualmente, inovação e criatividade existem aos montes. Uma simples postagem numa rede social é capaz de mudar nosso humor e faz sorrir fortemente até os mais tímidos e "fechados" indivíduos. Há uma explosão de ideias e trabalho para os cérebros humanos na reflexão e fraternidade. Perigos certamente existem, mas eles serão sufocados pelas mentes sedentas de justiça e respeito ao semelhante, segundo a regra espiritual, cada um colhe o que planta.

Os conflitos entre os povos serão cada vez menores, pois tudo o que acontece em uma parte do planeta interessa diretamente a todas as outras partes. A informação presente será instantaneamente transmitida para todo o mundo. E essa influência passa ser fundamental na resolução de conflitos.  Hoje um simples celular como um meio ainda rudimentar é capaz de promover a transparência de ações e inibição do indesejável. No futuro, tudo vai estar no ar e provavelmente respiraremos informações. Será que a vida em sociedade resistirá a desigualdade que vemos hoje entre os países? Nessa visão, provavelmente os acordos internacionais serão tão fortes que o mundo poderá mesmo ter apenas um governante com um conselho eficiente.

A cada tempo vários desafios. À curto prazo como alimentar 9 bilhões de habitantes em 2050? Como evitar a superpopulação? Como preservar o meio ambiente para a vida em harmonia? Certamente todos os desafios serão vencidos com o uso da eficiente comunicabilidade, muito mais ágil do que agora.

Vamos imaginar uma grande esteira onde pessoas caminham e conversam sobre ela lentamente. O tempo passa e tudo parece natural ao seu redor. A esteira então é acelerada e todos devem acompanhá-la com seus passos. A esteira agora dobra sua velocidade. As pessoas precisam manter a mesma velocidade ou, caso contrário, ficarão para trás.

Assim a esteira é a evolução do planeta, e aí englobamos tudo o que fazemos na vida, envolvendo a evolução social, educacional, científica, tecnológica, religiosa, etc. Todos nós caminhamos nessa grande esteira diversificando as posições conforme a velocidade com que andamos. Seguir em frente mais eficientemente é o desafio. Acompanhar o ritmo imposto globalmente depende de cada sociedade, região, país. As instituições, empresas, organizações entram em processo competitivo mais forte em busca de melhor posicionamento na sociedade. No fundo, há uma pressão intensa, mas não se sabe de onde ela vem. Há que se buscar novos meios de atividades em todas as partes, onde elas estiverem mais presentes e efetivas.

Muitos relutam veementes em aceitar as mudanças, pois não desejam acelerar o seu caminhar e esperam que a esteira reduza a velocidade para ficar da mesma forma que antes. Isso jamais irá acontecer. O mundo passa ao seu redor!

Muita rotina de trabalho que se fazia há apenas 10 anos atrás hoje é inviável, e o que fazemos hoje pode não ser mais adequado para os próximos dois anos.

Por outro lado, o atropelamento pode também gerar efeitos negativos, pois a drástica exigência promove bolsões de confusão. É preciso manter o equilíbrio e usar adequadamente a razão ampliada.

Como dar o próximo passo na velocidade e momento certos? Isso depende de muitos fatores intrínsecos a cada um do ser humano, mas o ponto inicial é ficar atento e refletir sobre tudo.

Foto: Raul Franzolin Neto


Estudo Sobre a Mediunidade

 

Silvio e Clarice Seno Chibeni


Artigo publicado originalmente na rev. Reformador  ago/1997, pp. 240­43 e 253­55 – reprodução autorizada elos autores (continuação da Parte I publicada no Boletim GEAE 551)


Os mecanismos da mediunidade

 

 

Na presente seção procuraremos reunir alguns informes sobre os mecanismos da faculdade mediúnica, ou seja, sobre como se dá o fenômeno mediúnico. A fonte básica continuará sendo Allan Kardec. Iniciemos com este trecho, já parcialmente transcrito, do capítulo “Manifestações dos Espíritos” de Obras Póstumas (§ 6, no. 34; o destaque é nosso):

O fluido perispirítico é o agente de todos os fenômenos espíritas, que só se podem produzir pela ação recíproca dos fluidos que emitem o médium e o Espírito. O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansível do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade da sua assimilação pelo dos Espíritos.

Esmiuçando as informações aqui contidas, notamos:

1) O perispírito desempenha papel de capital importância no processo mediúnico.

2) Sendo o perispírito “o agente de todos os fenômenos espíritas”, e estes só podendo produzir-se pela ação recíproca dos fluidos que emitem o médium e o Espírito, temos como regra sem exceções que, ocorrendo um fenômeno de comunicação com o mundo espiritual, necessariamente haverá a participação de um médium. Em alguns casos, como em certas manifestações de efeitos físicos, não se nota a presença do médium, mas podemos estar certos de que haverá alguém, em algum lugar, servindo de médium, ainda mesmo que este não esteja consciente do papel que desempenha. Também percebemos que serão vãos os esforços de certos pesquisadores que, desprezando a riquíssima contribuição do Espiritismo para o estudo daquilo que (impropriamente) denominam “paranormalidade”, tentam detectar o Espírito unicamente por meio de aparelhos. Se algum instrumento chegar a registrar um espírito, é porque houve a participação oculta de algum médium. Neste caso, seria mais confiável analisar a manifestação diretamente, sem o recurso indireto de instrumentos, que sempre constituem fonte adicional de incertezas6.

3) A presença da faculdade mediúnica em alguém liga-se à possibilidade de seu perispírito “expandir-se”. Veremos logo mais que essa “expansão” do corpo espiritual pode ser entendida como a sua parcial desvinculação do corpo físico.

4) A efetivação da comunicação exige, além da “expansão” do perispírito do médium, a assimilação deste com o perispírito do Espírito comunicante, ou seja, tem de haver sintonia entre ambos. Esse fato importante, de que o médium em geral não é capaz de comunicar-se indiscriminadamente com todos os Espíritos, é exposto em Obras Póstumas imediatamente após o trecho que acabamos de transcrever (§ 6, no 35; os grifos são nossos):

______________________

6 Esse é um ponto que merece reflexão, em vista da ampla divulgação em nossos dias da chamada “transcomunicação instrumental” (TCI). Em artigos anteriores (Chibeni 1984, 1988 e 1994) analisamos, à luz da moderna filosofia da ciência, a questão da cientificidade do Espiritismo e de sistemas alternativos, procurando mostrar que, do mesmo modo como entendia Kardec, o Espiritismo é uma disciplina genuinamente científica, enquanto que esses sistemas não. Contrariamente ao que em geral assumem os proponentes da TCI, o mero emprego de aparelhos não assegura a cientificidade de nenhuma disciplina; eles só são usados nas ciências ordinárias porque o seu objeto de estudo, a matéria, presta-se à análise quantitativa, e muitos de seus aspectos só podem ser observados com aparelhos. Já o objeto de estudo do Espiritismo, o elemento espiritual, não é passível de análise quantitativa, como tão apropriadamente fez notar Kardec em várias de suas obras.

As relações entre os Espíritos e os médiuns se estabelecem por meio dos respectivos perispíritos, dependendo a facilidade dessas relações do grau de afinidade existente entre os dois fluidos. Alguns há que se combinam facilmente, enquanto outros se repelem, donde se segue que não basta ser médium para que uma pessoa se comunique indistintamente com todos os Espíritos. Há médiuns que só com certos Espíritos podem comunicar-se ou com Espíritos de certas categorias, e outros que não o podem a não ser pela transmissão do pensamento, sem qualquer manifestação exterior.

No exame do assunto do item 3, podemos colher subsídios em André Luiz, o autor espiritual que tanto tem contribuído para a extensão de nosso conhecimento científico acerca da mediunidade. Em sua obra Evolução em Dois Mundos, ao analisar a fase evolutiva em que se elaborava a faculdade de desprendimento do veículo perispiritual durante o sono (capítulo 17, item “Mediunidade espontânea”), adianta esta valiosa informação (grifamos):

Consolidadas semelhantes relações com o Plano Espiritual [...], começaram na Terra os movimentos de mediunidade espontânea, porquanto os encarnados que demonstrassem capacidades mediúnicas mais evidentes, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físico e do corpo espiritual, em certas regiões do campo somático, passaram das observações durante o sono às da vigília, a princípio fragmentárias, mas acentuáveis com o tempo [...].

Vemos, assim, que o respeitado cientista deixa entrever a correlação íntima entre a possibilidade de contato com a realidade espiritual durante a vigília (mediunidade) e um certo “afrouxamento” das ligações entre as células do perispírito e as suas correspondentes do corpo material. Prosseguindo, André Luiz explicita mais essa correlação:

Quanto menos densos os elos de ligação entre os implementos físicos e espirituais, nos órgãos da visão, mais amplas as possibilidades na clarividência, prevalecendo as mesmas normas para a clariaudiência e modalidades outras, no intercâmbio entre as duas esferas [...].

Refletindo um pouco sobre as assertivas de André Luiz, verificamos, inicialmente, que não conflitam com a explicação dada por Kardec, em termos da capacidade de expansão do perispírito do médium. Há, pelo contrário, até um reforço, já que a noção de “expansão” é aqui suficientemente abrangente e flexível para permitir ulteriores elaborações e detalhamentos, dentro da natureza eminentemente progressiva do Espiritismo. Podemos compreender, deste modo, a “expansibilidade” do perispírito como a sua faculdade de desvinculação parcial e temporária do corpo físico, passando, nesse estado especial, a partilhar da realidade do mundo espiritual para nela colher impressões diversas, sem no entanto perder a possibilidade de atuação sobre o corpo denso.

É fundamental deixar claro que o que acabamos de expor não corrobora de modo algum a ideia popular de que no processo mediúnico o Espírito do médium “sai” e “dá lugar” ao Espírito comunicante, que passaria então a servir-se diretamente do corpo do médium. Os Instrutores Espirituais já esclareceram a Kardec, no importante capítulo “Do papel do médium nas comunicações espíritas” de O Livro dos Médiuns que essa ideia não corresponde à realidade. A mensagem sempre passa pelo Espírito do médium, mesmo quando ele não guarda disso a consciência ao despertar do transe. Vejamos o que dizem no item sexto do parágrafo 223:

O Espírito que se comunica por um médium transmite diretamente o seu pensamento, ou este tem por intermediário o Espírito do médium?

“É o Espírito do médium que é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para falar e por ser necessária uma cadeia entre vós e os Espíritos que se comunicam, como é preciso um fio elétrico para comunicar à grande distância uma notícia e, na extremidade do fio, uma pessoa inteligente que a receba e transmita.”

Compreendemos então que, em última instância, o comando do veículo físico só pode ser feito pelo seu próprio “dono”. Poderíamos dizer que o corpo material é feito “sob medida” para cada Espírito, e que não “serve” para nenhum outro. O Espírito estranho não tem como agir diretamente sobre as células materiais formadas sob a influência de outro Espírito e para o seu próprio uso.

É interessante notar que nas questões seguintes à transcrita os Espíritos frisam, mesmo enfrentando uma oposição inicial de Kardec, que essa é uma regra absoluta, sem exceções, nem mesmo na mediunidade dita “mecânica”, ou ainda nos casos de efeitos físicos onde uma mensagem inteligente é transmitida (tiptologia, escrita por meio de pranchetas etc). Vemos, na questão 10 do referido parágrafo, que os Espíritos expressam indiretamente sua desaprovação a esse modo de denominar a mediunidade na qual o médium não guarda consciência do conteúdo da comunicação: o médium jamais atua como máquina, mecanicamente.

Resumindo o conteúdo desta seção:

  • O perispírito desempenha papel essencial em todos os processos mediúnicos.
  • A faculdade mediúnica liga-se à possibilidade de o perispírito desvincular-se parcialmente do corpo físico durante a vigília.
  • A comunicação não se efetiva sem que haja sintonia entre os perispíritos do médium e do Espírito.
  • A comunicação espiritual, ainda que de efeitos físicos, sempre passa pelo Espírito do médium.

As modalidades mediúnicas

Um aspecto importante dos esclarecimentos de André Luiz é que permitem compreender não somente como se dá o fenômeno mediúnico, mas também o porquê da existência de diferentes modalidades de mediunidade. Observamos, pelos trechos citados, que a faculdade mediúnica será deste ou daquele tipo conforme a região do organismo em que as células do perispírito apresentem maiores possibilidades de desvinculação das que lhe correspondem no corpo físico. Desse modo, segundo o exemplo dado, se for nos órgãos da visão que ocorre a maior liberdade das células do perispírito, a mediunidade assumirá a forma de vidência; se nos órgãos da audição, a de audiência; se nos da fala, a de psicofonia, e assim por diante.

Devemos notar, no entanto, que os órgãos a que se refere André Luiz são, conforme se depreende de outras passagens de sua obra, não tanto os órgãos periféricos __olhos, ouvidos, mãos etc. __, mas fundamentalmente as regiões do cérebro responsáveis por seu comando. De fato, a ciência mostrou que há no cérebro grupos de neurônios (células nervosas) mais ou menos especializados para as diversas faculdades sensoriais e motoras. No caso da visão, por exemplo, tais neurônios recebem, através do nervo óptico, os impulsos elétricos gerados na retina do olho, sinais esses que a alma interpreta como imagens. O mesmo se dá, mutatis mutandis, com os demais sentidos. No caso das funções motoras, ao comando da alma determinados centros cerebrais enviam, através dos diferentes nervos, impulsos elétricos aos músculos, resultando daí os movimentos corporais.

Kardec dividiu os médiuns em duas grandes categorias: os de efeitos físicos e os de efeitos intelectuais. Os primeiros são “aqueles que têm o poder de provocar efeitos materiais, ou manifestações ostensivas”; os segundos, “os que são mais especialmente próprios a receber e a transmitir comunicações inteligentes” (O Livro dos Médiuns, parágrafo 187). Para fins didáticos, é conveniente subdividir a categoria de efeitos inteligentes em dois grupos: efeitos sensoriais (percepção da realidade espiritual na forma de uma impressão dos sentidos) e efeitos intelectuais propriamente ditos (transmissão de uma mensagem inteligente pela palavra escrita, oral, por gestos, etc.).

Apresentaremos agora um quadro sinótico com os principais tipos de fenômenos mediúnicos, associados às diversas modalidades mediúnicas. Trata-se de uma adaptação do que foi elaborado por Jayme Cerviño em seu livro Além do Inconsciente, reunindo apenas as modalidades mais importantes. Nesse interessante e original livro, o autor infere, a partir de estudos clássicos da psicologia experimental e da neurofisiologia, bem como de investigações sobre os fenômenos espíritas, quais regiões do encéfalo estariam associadas às diferentes categorias de fenômenos espíritas.7

7 Note-se que, como toda classificação, esta não é absoluta, pois o estabelecimento de fronteiras nítidas entre diferentes modalidades mediúnicas não é possível. Lembremos ainda que o encéfalo é a parte do sistema nervoso contida na caixa craniana; o córtex cerebral corresponde à parte mais externa desse órgão, e coordena a inteligência, os sentidos, os reflexos condicionados ou adquiridos; o subcórtex, que inclui vários órgãos da base do encéfalo - tálamo, hipotálamo, cerebelo - é a sede dos reflexos incondicionados ou inatos: instintos, atividades fisiológicas, emoções.

O exercício da mediunidade

Na seção 2 deste trabalho vimos que se deve fazer uma distinção clara entre a mediunidade, enquanto faculdade, e o seu uso ou exercício. Se a faculdade em si é neutra, o mesmo não vale para o seu uso, que pode ser bom ou mau, dependendo da condição moral do médium.

Na Introdução de O Livro dos Médiuns Kardec destaca entre os objetivos da obra a orientação para que a mediunidade seja empregada de modo útil. Um requisito essencial para isso é a compreensão de sua natureza e mecanismos, no que o Espiritismo tem contribuído de forma decisiva. Respeitando a liberdade humana, ele não poderia prescrever normas de conduta para os médiuns de maneira cega, impositiva, sem um esclarecimento racional da sua necessidade. É fácil constatar a justeza da afirmação de Kardec, nessa mesma Introdução, de que “as dificuldades e os desenganos com que muitos topam na prática do Espiritismo se originam na ignorância dos princípios desta ciência”.

A preocupação com a compreensão e o exercício corretos da mediunidade vem sendo partilhada pelos espíritas sérios, que se conscientizaram da necessidade do crescimento espiritual do médium para que sua faculdade seja bem empregada. Muitos dos grandes autores espíritas dos dois planos da vida nos têm legado estudos e lições preciosas sobre a mediunidade e seu objetivo. Procuraremos, no que se vai seguir, compilar alguns desses ensinamentos.

Comecemos, no entanto, com O Livro dos Médiuns, em cujo parágrafo 226 Kardec pergunta aos Espíritos (no 3):

Os médiuns que fazem mau uso de suas faculdades, que não se servem delas para o bem, ou que não as aproveitam para se instruírem, sofrerão as consequências dessa falta?

“Se delas fizerem mau uso, serão punidos duplamente, porque têm um meio a mais de se esclarecerem e não o aproveitam. Aquele que vê claro e tropeça é mais censurável do que o cego que cai no fosso.”

A questão da responsabilidade moral do uso da mediunidade é semelhante à das demais faculdades do homem. Aquele que emprega mal a inteligência, a palavra, os dotes artísticos ou a força física arcará com as consequências desse emprego, devendo expiar e reparar as faltas cometidas. No caso da mediunidade há um agravante, conforme se salienta na resposta dada, pois ela é poderoso recurso iluminativo.

É por meio da mediunidade que nos certificamos de nossa natureza imortal, fato de suma importância, em torno do qual gira todo o Espiritismo e sua doutrina moral. É ela que nos desvenda a vida futura, possibilitando-nos conhecer de modo abrangente os efeitos de nossas ações. Ajuizaremos então com mais acerto sobre o que nos convém ou não fazer, com vistas à nossa felicidade integral.

Para nós, os encarnados, a mediunidade constitui advertência contra o equívoco de tudo considerarmos do ponto de vista de nossos interesses materiais e imediatos, incentivando-nos a lutar contra o egoísmo, o embrutecimento dos prazeres, a estagnação do conhecimento.

Para os desencarnados sofredores, revoltados ou aturdidos, representa muitas vezes a via preferencial de despertamento, possibilitando-lhes retomar o progresso espiritual. A maioria das instituições espíritas em nosso país hoje em dia centraliza sua atuação mediúnica precisamente nessa tarefa, tão louvável pelos benefícios que espalha, mas também tão delicada em sua condução, exigindo muito preparo da equipe, quer no que concerne ao conhecimento doutrinário e à disciplina, quer quanto ao espírito fraterno e à devoção incondicional ao bem do próximo.

A esse respeito adverte Emmanuel no capítulo “Examinando a mediunidade” do livro Encontro Marcado:

O exercício da mediunidade nas tarefas espíritas exige larga disciplina mental, moral e física, assim como grande equilíbrio das emoções.

Na obra Educação e Vivência, lição “Mediunidade e problemas”, o Espírito Camilo tece as seguintes considerações, ainda dentro desse tópico:

Tristemente, porém, muitas dessas criaturas que se sabem ou se imaginam médiuns não são bafejadas pelos recursos de amadurecido estudo, a fim de que compreendam o que é que se passa nesse vasto território dos fenômenos psíquicos.

Seria de esperar que os indivíduos que se embrenham pelos bosques das percepções mediúnicas fossem caindo em si, aprendendo que todos terão que dar conta desses talentos formidáveis que lhes são concedidos, nas experiências terrenas, na condição de empréstimo, proporcionando liberdade e ventura íntimas, logrando evadir-se dos tormentosos episódios do pretérito culposo ou negligente.

E em Cintilação das Estrelas (capítulo 32) esse lúcido Espírito prossegue no assunto:

Em mediunidade é importante que o médium se aplique em melhorar-se a si próprio, ampliando as percepções, iluminando-se a cada hora, nas lutas que deve enfrentar, na pauta do cotidiano.

O desenvolvimento da mediunidade marcha ladeando o desenvolvimento do médium. Quanto melhor o indivíduo, maior a sua fulgência mediúnica no bem.

Aprimore-se o homem para que se lhe ampliem as posições de sensibilidade mediúnica.

Têm-se infelizmente observado muitos agrupamentos mediúnicos descuidados quanto às superiores finalidades da mediunidade, bem como quanto às diretrizes doutrinárias que devem guiar sua prática. Não raro desenvolvem suas atividades de forma ritualística, tratando os médiuns como simples máquinas de comunicação. No momento do intercâmbio, os trabalhadores assumem posturas formais, como que denotando concentração e devoção ao bem, mas que nem sempre se fazem acompanhar das atitudes íntimas correspondentes. Manoel Philomeno de Miranda comentou esse tópico no capítulo intitulado “Mediunidade e viciação”, do livro Sementeira da Fraternidade (p. 123):

O médium é filtro por cuja mente transitam as notícias da vida além-da-vida.

Nesse sentido, consideramos a concentração mental de modo diverso dos que a comparam a interruptor de fácil manejo que, acionado, oferece passagem à energia comunicante, sem mais cuidados... A concentração, por isso mesmo, deve ser um estado habitual da mente em Cristo, e não uma situação passageira junto ao Cristo.

Já analisamos na seção 3 a situação na qual o aparecimento da faculdade mediúnica se dá juntamente com desequilíbrios físico-espirituais variados, destacando o erro dos que consideram tais distúrbios como uma consequência da mediunidade em si. Em Educação e Vivência (p. 111), Camilo enfoca outro ângulo dessa questão:

A decantada “mediunidade de provas” não passa de episódio no qual alguém em provas e sérias expiações recebeu da Divina Misericórdia as excelênicas da sensibilidade mediúnica, através de cujas portas será chamado ou convocado à assunção de responsabilidades, bem como ao cumprimento dos deveres para com Deus, através do próximo.

Dessa forma a mediunidade, mesmo quando se apresente assinalada por impertinentes padecimentos dos médiuns, representa para eles a mão da Celeste Providência evitando dores maiores e tormentos mais acerbos.

A origem do nosso sofrimento, da nossa aflição, não reside na mediunidade, mas a bagagem de desacertos que ainda trazemos, acumulada nesta e em vidas pregressas. É por isso que nossos recursos mediúnicos, neutros em si memos, amiúde ainda se ligam aos mundos de sombra. Mal empregada, a mediunidade significará o cultivo da ignorância, a disseminação da dúvida e da mentira, o insuflamento do egoísmo e do orgulho, da vaidade e do personalismo, o verbo e o texto degradantes, a manipulação de forças mentais deletérias, a porta aberta às obsessões.

No capítulo 39 do livro Sementeira da Fraternidade, Vianna de Carvalho descreve a mediunidade como “canal cósmico por onde transitam seguras as consolações e esperanças para o atribulado espírito humano” (p. 179), destacando outro aspecto da mediunidade: o consolo que prodigaliza ao homem em sua vida de incertezas e de dores. Que de mais belo existe do que saber que o abismo que se imagina existir entre nós e os entes queridos que já partiram não é intransponível; que os sofrimentos que não conseguimos evitar têm causas justas ligadas ao nosso passado!...

Dádiva com que a misericórdia divina nos favorece, informando-nos de nossa natureza de seres imortais, a mediunidade bem empregada reveste as formas de esclarecimento acerca da vida além-túmulo, de consolo para os que perderam a esperança, de advertência salvadora para os equivocados, de amparo para os que cambaleiam, de recursos terapêuticos para os que enfermaram, de despertamento para os sofredores e os trânsfugas do dever que já cruzaram a aduana da morte. Daí a necessidade de desenvolvermos esse abençoado talento, nos trabalhos da caridade, nos exercícios constantes de benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições dos outros, de perdão das ofensas, conforme a questão 886 de O Livro dos Espíritos.

Reconheçamos, acima de tudo, que mais importante do que sermos bons médiuns, no que toca à faculdade, é sermos médiuns bons, a serviço de Jesus.

 

Referências bibliográficas

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_______Evolução em Dois Mundos. (Médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.) 1a ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1959.

CAMILO. Cintilação das Estrelas. (Médium José Raul Teixeira.) Niterói, Fráter, 1992.

_____Educação e Vivência. (Médium José Raul Teixeira.) Niterói, Fráter, 1993.

CERVIÑO, J. Além do Inconsciente. 2a ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1968.

CHIBENI, S. S. “Espiritismo e ciência”, Reformador, maio de 1984, pp. 144-47 e 157-59.

_______“A excelência metodológica do Espiritismo”, Reformador, novembro de 1988, pp. 328-333, e dezembro de 1988, pp. 373-378.

______“O paradigma espírita”, Reformador, junho de 1994, pp. 176-80. EMMANUEL. O Consolador. (Médium Francisco Cândido Xavier.) 8a ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1940.

______Encontro Marcado. (Médium Francisco Cândido Xavier.) 6a ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira.

JOANNA DE ÂNGELIS. Estudos Espíritas. (Médium Divaldo P. Franco.) 2a ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1982.

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). . Instruction Pratique sur les Manifestations Spirites. Paris, La Diffusion Scientifique, 1986.

_______. Le Livre des Médiums. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1978). O Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro, 59a ed., revista, Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, s.d.

_______. L’Évangile selon le Spiritisme. (Reprodução fotográfica da 3a edição francesa.) 1a ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1979.

_______. Oeuvres Posthumes. Paris, Dervy-Livres, 1978. Obras Póstumas. Trad. a Guillon Ribeiro, 18 ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, s.d.

______. L’Obsession. (Extratos da Revue Spirite.) Farciennes, Éditions de L’Union Spirite, 1950.

PEREIRA, Y.A. Devassando o Invisível. 4a ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1963.

PHILOMENO DE MIRANDA, Manoel. “Mediunidade e viciação”, in: Sementeira da Fraternidade. (Ditado por Espíritos diversos aDivaldo Pereira Franco.) 3a ed., Salvador, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1979. Capítulo 25, pp. 121- 24.

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Crônica: quem realmente somos?

 

Raul Franzolin Neto


        Temos nossos problemas a serem resolvidos dia a dia. Não obstante, a cada nova solução, novo desafio nos aparece. Muitas vezes um problema parece não ter solução e nos perturba por longo tempo. O processo se caminha ao longo das reencarnações.

Sempre admirei a humildade. Considero um dos mais belos comportamentos humanos. A gente se sente bem ao lado de uma pessoa verdadeiramente humilde e seu exemplo de vida nos fortalece.

Mas a humildade é difícil de ser analisada e entendida. Humildade não se avalia aparentemente pelo sentido visual. Vai muito mais além. Nem a sensação de derrotado, comodista. Humildade tem como princípio o respeito ao próximo.

Estava andando com meu Jeep e me preparava para estacioná-lo numa calçada. Era início de noite e a rua estava um pouco escura. Na calçada oposta notei uma pessoa caminhando. Um homem aparentemente com meio século de vida terrena, magro com roupa muito simples e um boné na cabeça. O andar não era normal. As pernas se alternavam e logo percebi nitidamente que se tratava de uma pessoa bem alcoolizada.

Fiz a manobra, desliguei o motor, desci e caminhei atravessando a rua. Ao chegar à outra calçada quando me encontrava já à frente do homem, fui surpreendido, assim que ele me alcançou. Imaginei que fosse solicitar algo. Ele me fez um sinal e em seguida uma pergunta: - Que marca é o Jeep? Respondi: - Motor Willis, Ano 1963. E continuou: - Bonito o Jeep. Eu disse: - Sim comprei há pouco tempo e estou gostando. -Você o reformou? – Não, o comprei assim. Achei normal o seu interesse e então ele me disse: - Eu tenho um também todo original ano 1951, mas está em Goiás. Perguntei-lhe: - Então você não é daqui? – Não. Minha mãe mora aqui perto. Passo um tempo aqui algumas vezes e volto para lá. Muito longe, cerca de 1700 km. Tenho uma fazenda lá e uso o Jeep.

Com isso a conversa se prolongou e perguntei-lhe mais sobre sua vida. Ele me disse que comprou a propriedade há certo tempo e trabalhou duro para desbravar e transformá-la em propriedade rural com criação de gado. - Minhas filhas se formaram em Medicina Veterinária na Universidade Federal. Disse-lhe que eu também era veterinário. Ele ficou surpreso e apertou minha mão. Uma delas está agora fazendo especialização no exterior em transferência de embriões. Técnica essa utilizada na sua fazenda.

Por ter uma propriedade em local muito bonito e acessível ao rio Araguaia firmou uma parceria com um grande empresário do ramo de ecoturismo em sua fazenda. Essa visão lhe foi dada em conversa que teve com uma senadora.

E após algumas risadas juntos, me despedi: - Boa noite meu amigo e felicidades. Ele se despediu: - Boa noite e espero que você vá me visitar um dia! Obrigado pelo convite, quem sabe um dia! E continuou seguindo pela rua escura e só; entrei em casa, alegre por ter tido um novo e feliz aprendizado de vida. Muitas vezes ignoramos as pessoas simplesmente pela aparência. Quem realmente somos?

Foto: Pintura: Martelli, Pirassununga-SP


Nos tempos da Codificação

 

A Doutrina Espírita

 

Artigo publicado no jornal Courrier de Paris em 11 de junho de 1857

 

“Desafiamos aos mais incrédulos a rir quando lerem esse livro em silêncio e na solidão. Todos honrarão àquele que lhe escreveu o prefácio.”


 

       Faz pouco tempo publicou o editor Dentu um obra deveras notável; diríamos mesmo muito curiosa, se não houvesse coisas às quais repugna qualquer classificação banal.

O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nesta página. Seria lamentável que pensassem estarmos aqui a fazer reclame bibliográfico: se tal se pudesse admitir, preferiríamos quebrar a pena. Não conhecemos absolutamente o autor mas proclamamos bem alto que gostaríamos de o conhecer. Quem escreveu aquela introdução que abre o Livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres.

Aliás, para que não se ponha em dúvida a nossa boa fé e nos acusem de partidarismo, diremos com toda a sinceridade que jamais fizemos um estudo aprofundado das questões sobrenaturais. Apenas, se os fatos produzidos nos causaram admiração, pelo menos não nos levaram a dar de ombros. Somos um pouco da classe chamada dos sonhadores, porque não pensamos como todo mundo. A vinte léguas de Paris, ao cair da tarde quando a nossa volta tínhamos apenas algumas cabanas esparsas, pensamos naturalmente em coisas muito diversas da Bolsa, do macadame dos bulevares ou nas corridas de Longchamps. Muitas vezes nos interrogávamos e, durante muito tempo, antes de ter ouvido falar de médiuns, a respeito do que se passava nas regiões que se convencionou chamar o Alto. Há tempos chegamos mesmo a esboçar uma teoria sobre os mundos invisíveis, guardando-a ciosamente para nós e nos sentimos muito felizes porque a encontramos, quase que por inteiro, no livro do Sr. Allan Kardec.

A todos os deserdados da Terra, a todos quantos marcham e que, nas suas quedas, regam com as lágrimas o pó da estrada, diremos: Lede o Livro dos Espíritos; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, aos que pelo caminho só encontram as aclamações e os sorrisos da fortuna, diremos: Estudai-o e ele vos tornará melhores.

O corpo da obra, diz o Sr. Allan Kardec, deve ser atribuído inteiramente aos Espíritos que o ditaram. Está admiravelmente dividido no sistema de perguntas e respostas. Por vezes, estas últimas são sublimes, o que não nos surpreende. Mas não foi necessário um grande mérito a quem as soube provocar?

Desafiamos aos mais incrédulos a rir quando lerem esse livro em silêncio e na solidão. Todos honrarão àquele que lhe escreveu o prefácio.

A doutrina se resume em duas palavras: Não façais aos outros o que não quereis que vos façam. Lamentamos que o Sr. Allan Kardec não tivesse acrescentado: e fazei aos outros como quereríeis que vos fizessem. Aliás, o livro o diz claramente, sem o que a doutrina não seria completa. Não basta não fazer o mal: é preciso ainda que se faça o bem. Se fores apenas homem de bem, só terás cumprido a metade do dever. Somos um átomo imperceptível desta grande máquina chamada mundo, na qual nada é inútil. Não nos digam que é possível ser útil sem fazer o bem: seríamos forçados a responder por um volume.

Lendo as admiráveis respostas dos Espíritos na obra do Sr. Allan Kardec, dissemos a nós mesmo que havia um belo livro a escrever. Logo verificamos, entretanto, o nosso engano: o livro já está escrito. Procurando completa-lo, apenas o estragaríamos.

O senhor é homem de estudo e tem boa fé que apenas necessita instruir-se? Então leia o Livro Primeiro sobre a doutrina espírita.

Está na classe das criaturas que apenas se ocupam consigo mesmas e que, como se costuma dizer, fazem os seus negócios muito tranquilamente e nada enxergam além dos próprios interesses? Leia as Leis Morais.

A desgraça o persegue encarniçadamente e a dúvida o tortura por vezes no seu abraço gelado? Estudo o terceiro livro: Esperanças e Consolações.

Todos quantos aninham pensamentos nobres no coração e acreditam no bem, leiam o livro da primeira à última página.

Aos que encontrassem matéria para zombarias, o nosso sincero lamento.

G. DU CHALARD

Fonte: Kardec, A. Revista Espírita, Ano 1858, Edicel, p. 31-32

“Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão


Comunicabilidade Espiritual

 


Tratado da angustia, do sofrimento e da infelicidade

 

Sonhar com o passado reflete a vida no presente.

Viver no presente reflete a vida no futuro

Viver no futuro reflete o infinito e eterno propósito de felicidade e maravilhosa alegria da vida.

Muitas pessoas se sentem desprotegidas e desamparadas pelas dolorosas provações que estão enfrentando.

Muitos admitem terem sido excluídos do grande projeto da vida maior que leva aos propósitos de alegrias e felicidades.

Outros em fim pensam que jamais mereceriam estar no meio dos mais privilegiados e amparados homens de sabedoria e habilidades impecáveis.

Não, meus irmãos. Não sigam por esse caminho da infelicidade e do desperdício de passagens muito e muito mais amplas e serenas.

Basta acreditar na sua própria força e natureza divina que temos como filhos do Pai Eterno.

Acreditar significa mudar sempre de posição em busca de um bem maior e não se lastimar pelo momento impróprio.

Perfilhar amplos impulsos de caridade e humildade em favor do próximo significa abrir novas portas no caminho da beleza infinita.

Quando desejamos seguir em busca de novos e melhores tempos, sabemos que muito temos que crescer e muito devemos ceder.

Mas o restante do sacrifício é sempre a paz, a beleza verdadeira e a gratidão por tantos que nos apoiaram.

A nova medida de fraternidade é a magnificência do amor e a vida em solidariedade em laços fortes e vibrantes.

Descendo aos meios inferiores poderemos ver a distância percorrida e que jamais poderemos retroceder em nossos corações.

Viver em escalas menores é dádiva para a perfeição e o sofrimento que ora parece infindável não é senão um milionésimo de segundo na eternidade, pois não há tempo a ser definido.

Estamos lamentando o tempo que perdemos agora mesmo.

Lamentando algo que deveríamos estar predisposto a amar.

Oportunidades de bênçãos e de desejos de muitos e que infelizmente permanecem aguardando ansiosos as decisões a cargo da Lei Divina.

Passageiros da destreza e da labuta é momento de glória para o bem maior e a paz desejada e sonhada.

Quando o fracasso acompanha e a angustia tocar no fundo da alma do ser que se sente o mais indesejado dos seres é a hora da glória maior.

É a hora da luta verdadeira e dos pontos de retomada para uma fase superior da vida.

Não se pode deixar essa humilíssima oportunidade e sim agarra-la como se fosse a força do sol aquecendo a vida no planeta Terra.

Como se fosse a chuva junto com o calor germinando a semente e desenvolvendo a vida.

Das dores surgem a sabedoria e a bondade numa relação direta entre a humanidade, significando novas relações e infinita felicidade.

Pensar em humanizar só mesmo a partir de cada um dos humanizados.

Angustia é dever cumprido e aprendizado sublime para alcançar as esferas mais elevadas.

 

Sernion

Psicografia por Raul Franzolin Neto em 11/03/2006


Humanity

 

God bless us!

Humanity is very impressively with the things that’s we can not see.

Everything that is much according to relative faction is much more than we can see.

Nobody can say what amazing the universe is without has been done anything to take part of the immense harmonious beyond the sky.

Heaven and hell are the same hypothetic structure that nobody can imagine from the point of view material forms.

Crossing over the dimension of the Earth planet there are no references between the possible and the impossible/ the visible and invisible / the material and immaterial forces.

In another the words we are the immensurable potential of creation together the Creator.

Could we believe that is possible to return on material life above the space that we had earned?

No. We depend of many great evolutions around the worlds.

This is the affinity on the beautiful history that we are living everyday forever.

 

Ksillo

 

Psicografia por Raul Franzolin Neto em 11/03/2006.


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