História do Espiritismo (Parte IV) 

 

                                                                                     José Basilio

  1872 ** MAIS FOTOS DE ESPÍRITOS

 Fotos do espírito de Hudson despertam enorme interesse.

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 1875 ** ALFRED RUSSEL WALLACE (1823-1913)

 Naturalista inglês, participou com o entomólogo Henry Bates de uma expedição a Amazônia, que deu origem a uma importante obra de sua extensa bibliografia: "Viagens pelo Amazonas e Rio Negro (1853)". Colaborou com Darwin na elaboração da teoria evolucionista.

 Publicou em 1875 "Sobre Milagres e Moderno Espiritismo".

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 1874 e 1875 ** OS IRMÃOS EDDY (WILLIAN e HORATIO)

 Estes foram os anos de grandes atividades psíquicas nos E.U.A.

 A ignorância da época era muito grande e como os fenômenos psíquicos acompanhavam até as crianças nas escolas, em casa o jovem Eddy caia em transe e o pai e o vizinho despejavam água fervente sobre ele e punham brasas sobre sua cabeça deixando-o permanentemente marcado.

 Depois que cresceram, o infeliz pai tentou fazer dinheiro com os poderes que havia desencorajado e alugava os filhos como médiuns.

 Assim foram os primeiros dias dos médiuns: eram algemados, torturados, enjaulados.

 O coronel Olcott, do jornal Daily Graphic, de N.Y., ficou encarregado de fazer investigações e desmascarar os impostores. E o Cel. Olcott testemunhou todos os tipos de mediunidade nos irmãos Eddy: batidas, movimentos de objetos, pinturas a óleo e aquarela sob influencia espiritual, profecias, fala de línguas estranhas (xenoglossia), poder de cura, levitação, psicografia, psicometria, clarividência e materialização.

 Olcott a tudo examinava com a presença de peritos.

 Chegou-se a conclusão de que a musica e o canto tinha intima ligação com os resultados psíquicos e a luz branca era desaconselhada (usava-se a vermelha) nas materializações e efeitos físicos.

 Conclui-se também o porque do uso de cabines em sessões de materializações: os vapores ectoplasmáticos podem se condensar mais facilmente.

 Madame Blavatsky, então desconhecida em N.Y., tinha vindo observar os fatos. Naquela época (1874) ela ainda não tinha desenvolvido a linha teosófica e era uma espírita ardorosa.

 A amizade dela com o Cel. Olcott produziria no futuro alguns fenômenos interessantes: várias materializações de russos conversavam com ela, naquela língua, mas a principal figura era um índio chamado Santum e uma índia chamada Honto que eram tão perfeitos que muitas vezes a assistência seria desculpada por esquecer que estava tratando com espíritos.

 Experiências mostraram que a respiração de espíritos materializados em água de cal produz a reação característica do dióxido de carbono (a água fica turva). Os próprios espíritos diziam que tinham que aprender a arte da materialização, assim como nós aprendemos qualquer outra arte. Muitos médiuns jamais vão além do estágio em que são materializadas somente as mãos, ou parte, dos espíritos.

 Willian Eddy era médium mais voltado as materializações e Horatio de características mais diversas.

 Numa das materializações, a índia Honto de 1,60m de altura, foi submetida a pesagem numa balança aferida. As quatro pesagens foram feitas numa mesma noite e os resultados foram: 39,9 ; 26,3 ; 26,3 e 29,5 Kg. O médium Eddy pesava 82 Kg.

 Ficou demonstrado também que cada um dos assistentes e o médium que doam ectoplasma sofrem uma perda no peso corporal.

 Logo depois da chegada de Madame Blavatsky os médiuns e os espíritos se tornaram esquivos com o Cel. Olcott, que mantinha intima relação com a primeira.

 Dois anos depois a dama russa, que até então era espírita, iniciava seus ensinos teosóficos denominando tais espíritos de "cascões astrais", afirmando que os mesmos não tinham vida própria.

 A médium Mrs Compton estava fechada em sua cabine com um fio passado pelos furos de suas orelhas e amarrada ao encosto de sua cadeira. Então uma figura branca emergiu de sua cabine. Olcott havia providenciado uma balança na qual o espírito ficou de pé. Foi pesado duas vezes, registrando 35,7 e 27,3 kg respectivamente. Então o Cel. Olcott foi a cabine, deixando o espectro do lado de fora. A médium havia desaparecido. A cadeira estava lá, mas nem sinal da senhora. Olcott pesou novamente a aparição que apresentou 23,5 kg, depois voltou a cabine e encontrou a médium sentada, fios intactos, pálida e fria, olhos revirados, testa úmida, sem pulso e sem respiração. Estava em catalepsia e foi levada para um local arejado, fora da câmara. Ficou assim por 18 minutos, voltando a vida gradativamente. Foi pesada, apresentando 55 kg.

 Onze testemunhas presenciaram o fato. O desaparecimento momentâneo da médium pode ser assim teorizado: a figura ectoplasmática pesava cerca de 35 kg (numa das pesagens) e a médium 55 kg, tornando-se claro que apenas 20 kg eram deixados para a médium, quando o espírito estava fora. Só 20 kg não bastavam para sobreviver e provavelmente os guias espirituais a tenham desmaterializado para preservá-la do perigo até que a volta do espírito materializado lhe permitisse a reabsorção.

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 1875 ** WILLIAN EGLINTON

 Os casos de levitação de objetos se davam em plena luz do dia (caso raro). Visitou vários países: África do Sul, Suécia, Dinamarca e Alemanha. Em 1880 foi a Universidade de Cambridge, onde realizou trabalhos sob a fiscalização da Sociedade de Psicologia.

Depois foi à Holanda, E.U.A., Índia, Itália e França. Verificou-se com Eglinton também o fenômeno das lousas (ver adiante).

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 1875 ** O MÉDIUM DR. MONCK

 Fez demonstrações de materializações na Inglaterra. Em 1876 visitou a Irlanda, onde usou seus dons para efetuar curas.

Ofereceram um prêmio de 1000 libras a quem imitasse os fenômenos. O grande magico J. N. Maskelyne tentou, sem sucesso.

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 1876 ** HENRY SLADE - O celebre médium da escrita nas lousas

 Eram escritas mensagens nas faces internas de duas lousas, por vezes amarradas e seladas juntas, a vista de todos, sem que o médium as tocasse.

 Slade provocava a levitação de objetos e materialização de mãos em plena luz do dia. Costumava cobrar 20 shillings para apresentar-se.

 Ao final de sua vida, há indícios de que degenerou. Sessões promiscuas, com finalidade comercial, esgotamento físico, estimulo alcoólico, perda de saúde, enfraquecimento do caráter e consequente tentação de usar truques. Morreu em 1905, num sanatório em Michigan.

 É interessante notar o semelhante fim de todos os médiuns que não seguiram as máximas do Cristo: "Orar e Vigiar" e "Dar de graça o que de graça recebermos".

 Com o médium Dr. Monck (visto anteriormente) também ocorria o fenômeno das lousas, que estando amarradas uma a outra, surgiam com frases ditas pelos assistentes.

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 1880 ** O Rev. Stainton Moses diz em discurso perante a Associação Nacional Britânica dos Espiritistas: "Precisamos muito de disciplina e de educação...", pois muitas fraudes surgiam junto aos charlatães.

 Ficou evidente que o Reverendo era um médium consciente de que a disciplina e a reforma intimam para o Bem é imprescindível para todos.

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 1881 ** É criado o Light - um semanário espírita de alta classe, cujo redator e o Rev. Stainton Moses.

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 1882 ** É CRIADA A SOCIEDADE DE PESQUISAS PSÍQUICAS

 O primeiro trabalho foi dedicado a uma investigação experimental de transmissão do pensamento. Depois de longas e pacientes pesquisas a telepatia foi considerada um fato inconteste.

Várias vezes a Sociedade colocou-se numa posição de considerar fraudulentos os fenômenos espíritas. Alguns de seus elementos eram totalmente céticos e analisavam os fatos de maneira errônea, ou seja, negando a existência dos fenômenos mesmo quando ocorriam em sua frente, a plena luz do dia.

 Amplamente discutidos eram os casos de "correspondências cruzadas" em que mensagens de vários espíritos se complementavam umas as outras.

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 1903 ** O ECTOPLASMA

 Tal substância foi cuidadosamente examinada em 1903 pelo eminente fisiologista francês Dr. Charles Richet (1850-1935, Nobel de medicina em 1913), que a chamou de ectoplasma. O Dr. Richet tinha as vezes como assistente Gabriel Delanne, editor da "Revista do Espiritismo".

 Muitas fotos de materializações foram tiradas. Nas mais diversas experiências com ectoplasma ficou comprovado que: quando tocado, ou iluminado por luz inadequada, ele se recolhe rapidamente, com raríssimas exceções. Se agarrado e apertado, o médium gritara. Com o consentimento do médium foi cortada uma pequena porção. Dissolveu-se na caixa em que foi colocado, como se fosse neve, deixando umidade e algumas células que foram examinadas e classificadas como epiteliais da membrana mucosa.

 Em algumas materializações as formas tinham inicialmente duas dimensões. Algumas faces materializadas talvez representem pensamentos do médium. O ectoplasma pode ser branco, preto ou cinza, sendo mais frequente o primeiro. Tudo indica que o ectoplasma é a parte exteriorizada do próprio médium.

 Um trabalho que assume destaque nesta área e o do prof. J. W. Crawford, catedrático de Mecânica Aplicada da Universidade de Belfast (Irlanda). Suas deduções e reflexões estão relatadas na obra "A Realidade dos Fenômenos Psíquicos". Crawford deixou numerosas fotografias e descrições detalhadas da formação do ectoplasma e das atividades do mesmo para produzir levitações, movimentos a distância e golpes (raps).

 O Dr. Eugenio Osty declara após sua pesquisa sobre a formação ectoplásmica: "Encontramos um processo que revela com tal nitidez e segurança a existência, os deslocamentos e a direção psíquica dessa substância, que a demonstração de tais fatos e tão probante como a mais pura e a mais simples experiência de Física" - "Les Pouvoirs Inconnus de L'esprit Sur la Matiere".

 Os fenômenos de transporte têm o nome de Telecinesia, na Parapsicologia.

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 1907 ** EUSAPIA PALLADINO

 Nasceu em Nápoles em 1854 e morreu em 1918.

 Esta médium italiana foi a primeira de efeitos físicos a ser examinada por um grande número de homens da ciência. Principais manifestações: movimento de objetos sem contato, levitação de mesas, levitação do próprio médium, aparecimento de mãos materializadas, de rostos, de luzes, execução de musicas em instrumentos sem contato e aumento de sua própria estatura.

 Eusapia disse ficar automaticamente influenciada pelos pensamentos dos assistentes. Na verdade, o aspecto psicológico da mediunidade, pouco conhecido, tem grande influência sobre os fenômenos.

 Eusapia era caridosa e se preocupava com as crianças, os doentes e os animais. Distribuía o que ganhava aos pobres.

 

Fonte: Boletim GEAE, 10(157), outubro 1995