História do Espiritismo (Parte II) 

 

                                                                                     José Basilio

 1844 ** ANDREW JACKSON DAVIS

 Nasceu em 1826, nas margens do rio Hudson, N.Y. Tinha visões desde pequeno e foi orientado por um pensador avançado de nome Livingstone, que passou a usar a clarividência de Davis para o diagnóstico de doenças. Cada órgão do paciente aparecia claramente e com radiação especial e peculiar, que se obscurecia em caso de doença. Além da missão humanitária, em que geralmente se empenhava, as vezes vagava livremente; então descrevia, em magnificas passagens, como via a terra translucida, abaixo dele, com grandes veios de depósitos minerais, como que brilhando através das massas de metal fundido, cada qual com sua radiação peculiar. Projetava-se facilmente para fora de seu corpo. Acompanhou, em projeção, o desencarne de uma pessoa. Profetizou, antes de 1856, o surgimento do automóvel, da máquina de escrever e do avião. Em 1847 previu a comunicação entre espíritos da Terra com os de Marte, Júpiter e Saturno. Previu, em 1847, o aparecimento do Espiritismo.

 Foi testemunha de fenômenos do Poltergeist, produzidos na casa de um clérigo, o Dr. Phelps, no inicio de 1850.

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1846 ** IRA ERASTUS DAVENPORT e WILLIAN HENRY DAVENPORT

 Nasceram em Buffalo, N.Y., em 1839 e 1841 respectivamente.

 Em 1846, 2 anos antes das manifestações nas irmãs Fox, a família era perturbada por batidas, socos, altos ruídos e estalos.

Eles experimentaram colocar as mãos sobre a mesa e mensagens eram recebidas através de letras.

 Ira desenvolveu a escrita automática. Logo surgiu a levitação e o rapaz era suspenso no ar, por cima das cabeças dos que se achavam na sala. Centenas de cidadãos respeitáveis de Buffalo presenciaram os fatos.

 Um lápis foi visto escrevendo em plena luz do dia, sem qualquer contato humano. Houve fenômenos de voz direta.

 Em 1857, professores da Universidade de Harvard fizeram várias experiências com os rapazes (que tinham 18 e 16 anos). Eles haviam submetidos com êxito a todas as provas que o engenho humano podia inventar e mesmo assim foram denunciados como trapaceiros e mistificadores.

 Nas várias experiências, os irmãos eram amarrados juntos, a vista de todos e vários instrumentos musicais a volta deles tocavam percutidos por mãos materializadas. Sofreram violências físicas em algumas apresentações públicas na Inglaterra, em 1865. Foram aconselhados pelo sempre presente espírito monitor que as manifestações deviam ser conservadas acima do nível dos divertimentos teatrais. Por isso recusaram as elevadas somas que lhes eram oferecidas.

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1848 ** O EPISODIO DE HYDESVILLE (N.Y.) Um mascate e assassinado numa casa em Hydesville.

 Uma família de fazendeiros de nome Fox, metodistas, mudou-se para a casa, e tinha 2 filhas no tempo em que as manifestações atraíram a atenção geral. Eram Margaret de 14 anos e Kate de 11 anos.

 Estamos no ano de 1848 e os ruídos (raps) em sons de arranhões começaram a ser ouvidos, idênticos aos que foram registrados em outros locais do mundo.

 Em março de 1848, os ruídos aumentaram de intensidade. `As vezes eram batidas, as vezes arrastar de móveis. As camas tremiam e se moviam.

 Em 31/03/1848, Kate Fox desafiou a força invisível a repetir as batidas que ela dava com os dedos, no que se estabeleceu um diálogo.

 Chegaram a conclusão de que aquela força podia ver e ouvir, pois Kate dobrava o dedo sem fazer barulho e o arranhão respondia.

A mãe fez uma série de perguntas para serem respondidas com números, todas acertadas.

 Estabeleceu-se uma reunião com vizinhos que perguntavam muito.

Ele (o dono dos ruídos) informou ser um espírito e que tinha sido assassinado naquela casa e disse o nome do antigo inquilino, que o matara, e tinha sido enterrado na adega a 10 pés de profundidade.

Seu nome era Charles B. Rosma.

 Isaac Post, um quaker de Rochester, coordenou as mensagens sob a forma de alfabeto. Em 02/04/1848 constatou-se que os arranhões se produziam tanto de dia como a noite.

 No verão de 1848 escavaram a adega e encontraram restos de ossos humanos. Cinquenta e seis anos mais tarde, em 1904, um jornal de Boston noticiava que: "o esqueleto do homem que se supõe ter produzido ruídos ouvidos pelas irmãs Fox, em 1848, foi encontrado na casa ocupada por elas e sem duvida comprova a sinceridade na descoberta da comunicação dos espíritos. “

 Vários outros fenômenos ocorreram na família do diácono Hale, de Greece, cidade vizinha de Rochester e em outras famílias de outras cidades, deixando evidente que não estavam ligados somente as meninas.

 Sucederam-se casos de pessoas que seguiram conselhos de espíritos pouco sérios e se deram mal, colocando em risco suas vidas.

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NOTA...: O médium não evangelizado e não educado para servir no bem ao próximo, sem interesse e com humildade, geralmente se atrapalha em suas próprias inferioridades. Sabemos que os espíritos são como nós: inferiores, superiores, interesseiros, bons, maus, sábios, evoluídos, zombeteiros, enfim de todas as qualidades, de acordo com a evolução moral e/ou intelectual que tenha atingido até então e se ligam a nós pela sintonia mental, ou seja, iguais ou semelhantes se atraem.

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 Muitas vezes levantou-se a questão: "Qual o objetivo do tão estranho movimento naquela época especial?”

 A resposta a esta pergunta foi feita em duas ocasiões diferentes, em dois anos diversos e através de médiuns diversos. Em ambos os casos a resposta foi idêntica. A 1a dizia: "É para conduzir a humanidade em harmonia e para convencer os céticos da imortalidade da alma."; a 2a dizia: "É para unir a humanidade e convencer as mentes céticas da imortalidade da alma".

 Durante alguns anos as 2 irmãs Fox fizeram sessões em N.Y. e em outros lugares. Horace Greeley, posteriormente candidato a presidência dos E.U.A., achava-se profundamente interessado por elas e convencido de sua honestidade.

 Ocorre, porem que elas acabaram se envolvendo com vícios (álcool) e em caminhos degenerativos da mente e do caráter, por serem inexperientes e não encararem o contato com os espíritos de maneira séria, com objetivos sadios e sem interesse material.

 Em dezembro de 1872, Miss Fox casou-se com Mr. H.D. Jencken, um advogado londrino que foi um dos primeiros espíritas da Inglaterra.

Durante o almoço de gala do casamento foram ouvidas várias batidas, em várias partes da sala e a mesa sobre a qual se achava o bolo foi repetidamente levantada do solo.

 Em algumas sessões na América ocorreram materializações e transporte de objetos de uma sala para outra.

 O prof. Willian Crookes (1832-1919), físico e químico inglês, descobridor do elemento químico Tálio e dos raios catódicos, fez um inquérito sobre os poderes da médium e pode constatar numerosos efeitos físicos.

 A mediunidade de Miss Fox (agora Mrs. Jencken) se mesclava em todos os atos de sua vida diária.

 O prof. Butlerof, da Universidade de São Petesburgo, quando fez uma visita matinal ao casal, em companhia de Mr. Aksakof, ouviu batidas no assoalho. Em 04/02/1876 o prof. Butlerof escrevia: "os fenômenos dessa médium são fortemente convincentes e objetivos. “

 Em 09/05/1882 houve casos de psicografia em que a médium era a Mrs. Jencken, já viúva e com 2 filhos que manifestaram mediunidade na mais tenra idade.

 Por volta de 1888 estiveram envolvidas com ganhos monetários advindos de apresentações espíritas. Já debilitadas pelo alcoolismo, chegaram a alegar que os fenômenos eram uma farsa e mais tarde arrependeram-se por ter caluniado o Espiritismo, readmitindo a veracidade dos efeitos.

 As irmãs Fox desencarnaram por volta de 1892 e seu fim foi triste e obscuro.

 Esta claro que um médium que emprega mal os seus dons sofre com a degradação do caráter e torna-se acessível as influencias maléficas.

 Dr. Crawford, investigador dos fenômenos das batidas, conclui que as mesmas são causadas pela projeção, pelo médium, de um longo fio de uma substancia diferente de qualquer matéria até então conhecida. Tal substancia foi cuidadosamente examinada em 1903 (ver adiante) pelo eminente fisiologista francês Dr. Charles Richet (1850-1935, Nobel de medicina em 1913), que a chamou de ectoplasma.

 Estes fios são invisíveis aos nossos olhos e parcialmente visíveis a placa fotográfica e conduzem energia de tal maneira, que há perigo quando o médium de efeitos físicos não trabalha pela sua moralização, perigos que são: enfraquecimento da vontade, tentativa de recuperar as energias por meio do álcool, tentativa de fraudar quando as forças aumentam e influência prejudicial de espíritos zombeteiros que cercam os grupos que se reúnem mais por curiosidade do que por interesse sério.

 Teoria da criptestesia de Charles Richet: "O homem tem um corpo etérico com muitos dons desconhecidos, entre os quais um poder de manifestação exterior em formas curiosas. Há uma etapa preliminar e elementar em todo trabalho psíquico que depende de um poder inato e possivelmente inconsciente do médium.”

 Logo que o caso das irmãs Fox foi divulgado, inúmeros outros casos começaram a se tornar públicos, pois 10 anos antes haviam casos, em vários locais, que não eram divulgados tanto por medo do ridículo, quanto pela ignorância do que isso fosse.

 Resumo do depoimento do juiz John W. Edmonds, um grande caráter e inteligência brilhante: "Em janeiro de 1851 tive minha atenção chamada para as manifestações espíritas. Dedicava todo o meu tempo a leituras sobre a morte e a sobrevivência do homem.

Durante minha vida, a esse respeito, não tive doutrinas senão contraditórias e descrentes, que dificilmente saberia em que acreditar. Fui convidado a assistir as "batidas de Rochester".

Resolvi investigar para verificar se não era mistificação durante 4 meses e a prova veio com tal poder que nenhum homem equilibrado lhe poderia negar fé.”

 A experiência mostra que uma aceitação fácil de tais manifestações, é muito rara entre pensadores sérios e que dificilmente se encontra um espírita eminente que não tenha estudado e meditado por muitos anos.

 O prof. Robert Hare, da Universidade de Pensilvania, era um grande cético e para tentar provar que o Espiritismo era uma farsa fez algumas experiências após as quais se tornou um crente decidido. Em 1853 pegou bolas de bilhar colocou-as sobre folhas de zinco e pôs as mãos dos médiuns sobre as bolas. Com grande surpresa sua, as mesas se moveram. A seguir arranjou uma mesa onde o tampo se movia para a frente e para trás; a ele adaptou um dispositivo que girava um disco contendo as letras do alfabeto, ocultas as vistas dos médiuns. As letras eram dispostas de modo variado, embaralhadas e ao espírito era solicitado que as pusesse em ordem e isso era feito!.

 Seguiram-se então frases inteligentes, que os médiuns não podiam ver nem saber o sentido.

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 1850 ** O ESPIRITISMO FRANCÊS, ALEMÃO E ITALIANO

 Na Franca e nos povos latinos há preferência pelo termo Espiritismo e por Allan Kardec, cuja feição predominante é a reencarnação.

 Quando as manifestações espíritas chamavam a atenção na Europa, Allan Kardec (Lyon, 1804-1869 - educador, discípulo de Pestalozzi) investigou o assunto através da mediunidade de duas filhas de um amigo, que tinham menos de 14 anos. Ele controlou a atividade das médiuns com uma longa série de perguntas o que fez com que em dois anos Kardec mudasse suas antigas convicções.

 Quanto ao Espiritismo alemão há o destaque para Franz Mesmer (médico - 1775/1815 - pai do Hipnotismo) que realizou seu maior trabalho em Viena, no fim do século XVIII; foi ele quem deu o primeiro impulso para a dissociação entre alma e corpo, antes do atual modo de pensar da humanidade.

 Na Itália a oposição da Igreja foi mais notável, pois sem muita lógica estigmatizou como diabolismo os casos que não recebessem a marca especial da Santidade. A Itália foi rica em médiuns, mas mais afortunada em homens de ciência que acompanhavam os fatos: Ermacora, Schiaparelli, Lombroso, Ernesto Bozzano, Morselli, Chiaia e médiuns como Eusapia Palladino, Politi, Lucia Sordi, Linda Gazzera, e outros.

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 1852 ** JONATHAN KOONS - FENÔMENOS DE VOZ DIRETA

 Fazendeiro em Ohio, foi o primeiro médium moderno que se tem notícia que teve em sua casa fenômenos de voz direta, em que o espírito denominado John King falava através de uma pequena trombeta. As pequenas palestras deste espírito versavam sobre o beneficio que colheríamos, com o tempo, em mantermos diálogos sadios com os espíritos, incentivando a caridade com os que estão no erro e na ignorância e que devemos zelar pela nossa sabedoria.

 Este fenômeno (voz direta) iniciou-se em tempos muito antigos (há várias citações na Bíblia) com exemplos históricos: Paulo de Tarso, Sócrates, Joana D'Arc, e outros.

 A explicação para o fenômeno é que o ectoplasma procedente do médium e também, em menor proporção, dos assistentes, é usado pelos espíritos operadores na moldagem de uma espécie de laringe humana utilizada para a produção da voz.

 Ha casos registrados de padres que mantinham diálogos com espíritos por voz direta.

 Mrs Elizabeth Blake, também de Ohio, foi a maior médium de voz direta de quem se teve noticia. Era pobre, iletrada, vivia numa pequena aldeia de Bradrick, em West Virginia. Era médium desde criança, muito religiosa e pertencia a Igreja Metodista da qual foi expulsa, como outros devido a sua mediunidade.

 Os fenômenos de voz direta diferem da mera clarividência e da fala em transe, por isso os sons não parecem sair do médium, mas de fora, as vezes de uma distância de alguns metros e continuar quando a boca do médium esta cheia d'agua e, outras ocasiões, se fazendo ouvir duas ou três vezes simultâneas. Nestas ocasiões uma trombeta de alumínio é empregada para aumentar a voz, e também, como supõem alguns, para formar uma pequena câmara escura, na qual as cordas vocais então usadas pelo espírito, se podem materializar.

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1853 ** Os católicos e os evangélicos fazem grande oposição ao Espiritismo, afirmando ser tudo obra do diabo.

 

Fonte: Boletim GEAE, 09(154), setembro 1995