User Rating: 0 / 5

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Lei de Causa e Efeito Segundo o Ensino Budista 

Claude Huss 

"Toda Ação má provoca um Efeito mau.

Toda Ação boa provoca um Efeito bom.

Toda Ação praticada por uma pessoa, só ela sofre o efeito"

Basicamente o que está escrito acima é o ensinamento Budista sobre causa e efeito. Algumas pessoas podem achar isto simples, mas se pensarmos detidamente, isto é, como um tema para a vida toda. Buda Sakkyamuni (O Buda histórico), nascido nesta terra. Segundo o Budismo existe um numero tão grande Budas quanto o numero de grão de areia no mar, tendo vivido ou vivendo em outros planetas. O Buda Sakyamuni falou que o Budismo era basicamente "Deixar de fazer o mal e fazer o bem".

Então o que seria a lei de causa de efeito? Na verdade, o nome correto deveria ser lei de causa, conexão e efeito. No ensino Budista, existe um fator que se chama conexão (EN em Japonês, Yuan em Chinês) que é o que fornece condições para uma causa se tornar um efeito.

Por exemplo, vamos analisar um acidente de ônibus. Alguém poderia falar que uma pessoa no ônibus sofreu por causa do motorista, mas o motorista foi a mera "Conexão" entre a causa inerente (Karma) e o efeito (Acidente). Então seria o Karma algo determinístico como um tipo de destino? Não.

As pessoas continuam tendo livre opções, mas têm o fator determinístico de sofrer pelas opções que escolhem. Por exemplo, posso escolher não estudar para um exame, e na hora do exame sofre o efeito de ter escolhido não estudar. Este é o ponto, pois algumas vezes este ciclo se torna como uma coisa que não se pode sair, mas os seres sempre têm opção de quebrar este ciclo.

No caso do carbono, vejamos, a uma certa pressão e temperatura ele vira carvão e a uma outra certa pressão e temperatura vira um diamante. Este é o ponto. Controlando as conexões entre causa e efeito através de self-awareness podemos mudar o nosso próprio "destino". Então, embora o Budismo possa ser visto como "conformista", é na realidade uma atitude pragmática em relação a vida. Por exemplo, um adulto que foi abusado quando na infância, pode tanto se afundar culpando os outros, mas quem sofre é ele mesmo. O que quero dizer é que algumas pessoas poderiam usar a mesma "causa" para impulsionar a sua vida e lutar pelos direitos de outras crianças abusadas ou se afundar em ódio. Tudo isto vem de nós mesmos. Não há como passarmos a vida sem os sofrimentos de Velhice, Doença, Nascimento e Morte segundo o Budismo, então é fora de contexto culpar os outros, pois o sentimento de sofrimento é algo brotado dentro de nós mesmos.

Acredito que a principal diferença entre o ensino Budista e o Espírita deve ser quanto ao fato que enquanto o Budismo vê o processo de reencarnações com dois fatores: Um, evolutivo, em que os seres viventes estariam sempre cada vez mais próximo da Iluminação e consequente libertação do ciclo de renascimentos e um outro degenerativo em razão do Karma que possuímos desde o infinito passado-futuro, o que faz os seres viventes circularem por planos de existências (Inferno, Demônios, Animais, Titãs, Homens, Espírito Superiores ou Deuses), caindo e subindo. Creio que o Espiritismo vê este processo mais como algo evolutivo e não sei realmente se existe algo como ser livre de renascimentos. 

#########################################

                    C O M E N T A R I O S

#########################################

DO CLAUDE HUSS E JOSE CID A RESPEITO DA LEI DE CAUSA E EFEITO SEGUNDO O BUDISMO

Interessante. Como seria a lei de causa e efeito segundo o espiritismo?

No budismo, é uma lei fundamental, por isso pergunto.

Claude Huss

-------------------------------

Na minha opinião, a Lei de Causa e Efeito é fundamental, porque é através dela que o caminho do espírito através dos tempos vai sendo traçado. Em outras palavras, desde que o espírito foi criado, existe uma causa, que provoca um efeito, que direciona a evolução do espírito. Colocando as ações de forma binaria - certo e errado - uma ação correta tem um efeito benéfico, que impulsiona a evolução espiritual; por outro lado, uma ação errada tem um efeito contrario a evolução, que, portanto, deve ser corrigido para que o espírito continue evoluindo.

Eu não sei como o Budismo coloca a lei da Causa e Efeito. Como é?

Jose Cid

-----------------

A lei Budista de causa e efeito é bem simples:

Uma causa boa gera um efeito bom

Uma causa má gera um efeito mau

A causa cometida por mim somente eu sofro o efeito

(Me desculpe, mas tentei traduzir literalmente do Chinês)

Esta é a razão pela qual no Budismo não há conceito de "pecado" como no ocidente. Não há perdão pelos pecados também, sendo que atos maus cometidos ou não na ignorância vão sofrer as consequências disto mesmo pela própria pessoa.

Então alguém chega e fala, "Po eu fui atropelado por aquela pessoa", "Eu fui vítima da tal e tal guerra", etc. Tudo isto segundo o budismo vem de causas praticadas em nossas vidas passadas, e deveríamos não culpar outras pessoas por ações que ocorrem na nossa própria vida. Isto pode ser ouvido como "conformismo", mas é algo bem diferente que "sofra agora e depois vá para o céu" do cristianismo. O enfoque é psicológico, desde que aceitando a situação o budista se torna pragmático e tenta resolver as situações de acordo com suas capacidades.

Por exemplo, o caso de um adulto que foi abusado quando criança, ele pode ficar resmungando a vida inteira o quanto foi abusado e o quanto os pais deles foi ruim, mas segundo a ótica budista esta pessoa deveria aceitar a situação e ver que o sofrimento que ele sofre não é por causa de alguém ter abusado dele, mas o sofrimento vem dele próprio e só ele pode corrigir isto.

O budismo, segundo Buda Sakkyamuni (O Buda "histórico" nascido em nosso planeta há 2600 anos atrás. Segundo o budismo existem budas em diversos outros planetas, universos e planos de existência tão numerosos quanto toda os grãos de areia do mar) o budismo se resumiria em uma só frase: "Deixar de fazer o mal e fazer o bem".

Então o que seria "mal" e o que seria o "bem"? Esta busca em si, seria o Budismo, culminando com o estado psicológico chamado "Satori", "Iluminação" em que a pessoa enxergaria o seu verdadeiro "ego" e conscientizar a si mesmo, porque desde o infinito passado esteve neste ciclo de nascimento, morte, reencarnação. Atingindo este estado, a pessoa mesmo vivendo a vida nesta terra, o coração dela terá renascido fora dos seis planos de reencarnação (Inferno, Demônios, Animais, Titãs, Homens, Deuses e Espíritos) e, portanto, livre do sofrimento e da necessidade de reencarnar novamente.

Acho que esta seria a principal diferença entre o espiritismo e budismo. Enquanto o espiritismo vê a reencarnação como um processo evolucionário, o budismo vê a reencarnação como um processo cíclico, onde nossos atos bons nos fazem subir planos de existência e atos maus nos fazem afundar ao mesmo tempo, sem nunca sair deste ciclo. Mesmo espíritos superiores teriam uma vida muito grande de vários milhões de anos, mas também nascem e morrem no plano deles e de acordo com seus atos e podem tanto renascer no Inferno, Demônio, etc.

Buda, creio ter sido o primeiro grande professor de mediunidade. Em budismo chamamos isto de "SHINTZURIKI". Estas faculdades mentais eram tão grandes, segundo as sutras, que seres espirituais de todo o universo vinham até as palestras de Sakkyamuni Buda. Os discípulos também foram iniciados nesta atividade e muitos deles podiam enxergar outros planos de existência com estas capacidades. Segundo as sutras, pelo menos 20.000 pessoas teriam sido mestras em SHINTZURIKI durante o tempo de Buda Sakkyamuni.

Bem, difícil para resumir, mas se não entender algo, me dá um toque. Estou sempre a disposição.

Claude Huss

-------------------------------

"Uma causa boa gera um efeito bom

Uma causa má gera um efeito mau

A causa cometida por mim somente eu sofro o efeito"

Acho que é o mesmo que o Espiritismo diz.

Também dizem que o Espirita é conformista.

Eu acho que é pragmático.

O Espiritismo fala em evolução (infinita) do espírito, sem um ciclo, onde os espíritos evoluídos teriam de reiniciar tudo (acho que não é isso que o Budismo diz, me corrija se estiver errado), ou que espíritos muito evoluídos poderiam cometer erros enormes que os trariam de volta a mundos pouco evoluídos. No Espiritismo não existe uma separação clara entre a evolução dos mundos, Kardec elaborou uma classificação dos mundos, mas ressaltou que a variação é infinita em cada uma das classes, podemos então considerar um continuo. Não existe inferno ou demônio, mas mundos pouco evoluídos e espíritos pouco evoluídos, mas que ambos chegarão a estágios superiores. Na minha opinião esta classificação combina mais com o dinamismo que vemos no Universo, sempre em movimento.

Um grande abraço,

Jose Cid

-------------------------------

"A causa cometida por mim somente eu sofro o efeito"

Geralmente as religiões ocidentais não gostam disto, mas acho que este tipo de approach não é muito distante do espiritismo (ao menos o que eu conheço).

"Também dizem que o Espirita é conformista. Eu acho que é pragmático."

Eu daria um exemplo, O Japão após a guerra poderia ter alimentado ódio contra os USA e Europa, mas pelo contrário reconheceram a perda da guerra como seu próprio Karma e procuraram trabalhar em cima disto de um jeito pragmático. Acho que conformismo seria falar, "po você nos invadiu e agora estamos na miséria, tudo sua culpa."

Budismo fala em processo de reencarnação infinito e não reconhece um "Deus". Não existe "Deus". Buda não é um "Deus", são seres como nós, mas que conseguiram sair do ciclo de reencarnações. A classificação que eu dei é bem simples. O budismo fala em mundos, mas isto é só para simplificar as coisas. Não existe algum lugar em que você poderia pisar e falar "Aqui é Inferno". O Inferno existe dentro de nossos corações e pessoas com o mesmo tipo de corações tem tendências de agruparem em comum, o que se torna o "inferno" físico. Seria como separar as 7 cores e falar que só existem 7 cores, mas a combinação de todas elas faz um arco-íris... O budismo fala que o pior tipo de inferno físico a vida media lá é de cerca de 24 Kalpas (Kalpa é uma medida de tempo do budismo equivalente a cerca de 24 trilhões de anos).

O Budismo realça a importância de se ter nascido humano, pois a vida humana é de certa forma superior ao dos espíritos, pois neste mundo há mais possibilidade de alcançar a iluminação que nos outros. A razão é simples, nas esferas inferiores existem demasiado sofrimentos o que impossibilita a pratica para a iluminação e no mundo dos espíritos superiores não há sofrimento suficiente para fazer possibilitar a iluminação. Somente na vida humana existe um equilíbrio entre o sofrimento e alegria que possibilita (ou dá mais chances) para a iluminação. ". O Espiritismo fala em evolução (infinita) do espírito, sem um ciclo, onde os espíritos evoluídos teriam de reiniciar tudo"

Só ressaltando este ponto. Não existe reiniciar. Tudo é decidido por causa e efeito, e em todas nossas existências desde o infinito passado cometemos infinitas falhas, seria necessário ao menos teoricamente o mesmo período de tempo com o efeito em contrário, sem NENHUMA AÇÃO MÁ para que alguém estivesse livre da reencarnação, o que seria quase impossível de fazer exceto para excepcionais seres como Buda Amida (Nascido no planeta de Hozou). Buda Amida (Em sânscrito "Vida e Luz infinita") atua como um "proxy" e faz as pessoas que atingiram a iluminação renascerem no universo que ele próprio criou e esta seria a penúltima reencarnação destes seres.

Neste mundo, chamado de "Terra Pura", estes seriam treinados por milhares de Kalpas até atingirem o estado de Buda e como ultimo estado antes de saírem do mundo de reencarnações, renasceriam em uma esfera de existência para tentar salvar outros seres. Esta approach é chamada Terra Pura.

No Zen, por exemplo, seria o caminho muito mais longo, que cobriria muitas e muitas existências até a pessoa conseguir a iluminação por si mesma com a orientação (ou não) de algum Buda histórico nascido no mesmo lugar que ele.

Como você pode ver, existem um leque muito grande de escolas budistas, cerca de 64.000, mas todas elas levam para o mesmo caminho. O budismo também nos ensina que nossos mestres só nos ensinam as vezes metade da verdade, coisas que fazem a gente entender de um modo mais simples. Como por exemplo falar que o "Átomo é a parte indivisível da matéria", para uma pessoa na sétima serie não faria sentido explicar toda a física quântica. Então no budismo é muito importante encontrar um mestre "iluminado" (Guru) para que este possa criar um modelo próximo do que nós somos. Desta forma, Kardec seria segundo o budismo, um tipo de Guru, incluindo conceitos cristãos de forma que os ocidentais também pudessem alcançar iluminação de alguma forma, não sei, somente especulando.

Como disse o mestre (Guru) Boddhidharma (Primeiro patriarca Zen da China):

"O que está escrito (sutras, bíblia, etc.) não é a verdade. A verdade é só aquela que pode ser transmitida de coração para coração".

Claude Huss

----------------------------

Oi Claude. Agora vão os meus comentários, escritos hoje, enquanto edito o Boletim.

Sobre o texto "Lei de Causa e Efeito segundo o ensino Budista", você disse que os sofrimentos que passamos estão conectados com causas anteriores. Isso é exatamente o que o Espiritismo diz. Você não fez nenhum comentário quanto ao agente (ou conexão) entre a causa e o efeito. O Espiritismo diz que este também devera sofrer as consequências do ato que cometeu. Usando o seu exemplo do motorista de ônibus que foi o agente de um acidente onde outro sofreria o efeito de um erro (causa) passada. Segundo a Doutrina Espirita o motorista não seria um simples instrumento de um carma. Ele também sofreria as consequências de seu erro (ter sido inconsequente ou descuidado enquanto transportava outras pessoas, sendo, portanto, responsável pela segurança destas) no futuro. A própria situação poderia ser para o motorista uma prova. Ele poderia ter estado em uma situação semelhante anteriormente, e agiu irresponsavelmente; depois de se arrepender foi colocado novamente em condições de provar sua responsabilidade. Ele pode ter sucesso ou falhar na prova. De acordo com a Doutrina Espirita não existem instrumentos passivos, participamos todos ativamente em nossa reforma (ou crescimento) interior, assim como daqueles que nos cercam, mesmo que nos sejam "totalmente desconhecidos".

No Espiritismo existe a Lei de Causa e Efeito; Kardec não usava a palavra Karma porque confundiria com o Hinduismo; e cabe a cada um de nos decidir o que devemos fazer para reparar nossos erros e nos reformar interiormente. O arrependimento, ou conhecimento do erro é apenas o primeiro passo, existe a necessidade de reparar o erro cometido.

Vamos agora usar o exemplo que o Claude usou em nossa correspondência pessoal. Vejamos a criança que foi abusada na infância. Neste caso os pais podem ter sido um instrumento para aquele que, agora no papel de filho, reconheça um erro cometido no passado, onde ele, como pai abusou de seu filho, que pode hoje ser o pai que abusa. Suponhamos que hoje ele reconheça que abusar dos filhos seja um erro. Agora ele começa a poder reparar o erro passado, recuperando aquela criança que um dia, no passado ele abusou. Complicado? Não, apenas uma causa gerando um efeito, que em consequência serve de causa para outro efeito e assim por diante.

Uma outra coisa que a Doutrina Espirita diz é que nós nos agrupamos por afinidades e responsabilidades.

Respondendo a sua pergunta sobre o fim da encarnação, sim, a Doutrina Espirita nos mostra que, atingindo um certo grau evolutivo o espírito deixa de precisar da encarnação para continuar progredindo. Também diz que Espíritos muito evoluídos, que não precisam mais encarnar para evoluir, podem encarnar como missionários, para contribuir com o progresso moral em mundos menos evoluídos.

No Espiritismo não existe o conceito de pecado; existe o erro que devemos reparar. Cabe a cada um decidir a rota pela qual reparara o erro cometido. As possibilidades são infinitas, não se pode dizer que determinado erro teria determinada consequência.

Discordo que o cristianismo diga "sofra agora e depois vá para o céu". Algumas religiões cristãs dizem isso, mas não o Espiritismo. Primeiro, o Espiritismo não usa a figura do céu ou inferno, ao invés ele mostra a existência de mundos mais ou menos evoluídos. Segundo, ele mostra que o sofrimento é consequência de um erro, que serve de estímulo para enxergarmos o erro, porque só é possível corrigir o que se sabe estar errado. Assim, o sofrimento é apenas o primeiro estímulo que nos "empurra" para o progresso.

Não creio que Buda tenha sido o primeiro grande professor de mediunidade, porque mediunismo existe desde que o mundo é mundo, pois para o intercambio mediúnico só é necessário um espírito encarnado e um espírito desencarnado, ou se você quiser estender isso mais ainda, dois espíritos em planos existências diferentes.

No Livro dos Espíritos a primeira questão é quem é Deus. A resposta dada foi que Deus é a causa primaria de todas as coisas. Isto é um conceito abstrato, que, pelo menos para mim, é difícil de entender. Eu não posso dizer que sei o que é Deus, mas isso não altera a minha crença nele, porque sou testemunha ocular de sua obra. Costuma-se dizer, a cada nova descoberta cientifica, que Deus foi destruído, mas isso é questão de interpretação. Cada nova lei da natureza que se descobre, na minha opinião, só engrandece o Criador, porque mostra quão complexa e completa é a sua obra. Será que um dia descobriremos como fomos criados? Não sei, mas tenho certeza que este dia esta muito longe.

O Espiritismo não diz que a vida humana é superior à dos espíritos, mas diz que ela é necessária para a evolução espiritual. Uma afirmação importante, porém, é que todos nós que estamos encarnados na Terra, por exemplo, estamos aproximadamente no mesmo estágio de evolução espiritual.

Você coloca diversos números, como quantidade de estágios evolutivos, ou tempo de vida em determinado estágio. Eu não costumo comentar números, porque acho que eles são meros detalhes que só podem servir para controvérsias. Por exemplo, você disse que existem diversas correntes budistas. Quantas são as que divergem apenas por causa de números?

Você termina com um comentário muito importante: o que está escrito não é a verdade, porque a verdade só pode ser transmitida com o coração. Jesus colocou seu ensinamento em parábolas, ressaltando a importância da interpretação do texto (e para interpretar é necessário usar-se o coração), ao invés de se prender às palavras conforme estão escritas.

 Um grande abraço

Jose Cid

Fonte: Boletim GEAE (116)94, 27/12/1994