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perispiritoReflexões Críticas sobre o Perispírito e sua Influência na Formação e Manutenção do Corpo Físico (Parte 2)

 

 Alexandre Fontes da Fonseca, Antonio C. L. Leite, Christiano Torchi 

4. Idéia do Modelo Organizador Biológico (MOB)

Hernani G. Andrade talvez tenha sido pioneiro na formulação de uma teoria para o perispírito, com base em conceitos da Física. Ao que nos consta, foi ele quem cunhou a expressão “Modelo Organizador Biológico” (MOB) [1,2], que seria “uma unidade autônoma e evolutiva, capaz de interagir com a matéria orgânica e, desse fato, resultar o ser biológico” [2]. 
  
Entre suas características principais, o MOB seria portador de um campo biomagnético capaz de interagir com a matéria. O MOB teria uma função que se espera de um molde, porém ele não seria algo rígido e estático e pode evoluir adquirindo novas propriedades de acordo com a evolução moral do ser. 
  
Uma característica importante do MOB é a capacidade de organizar a matéria viva. O campo biomagnético seria responsável por influenciar o corpo físico em sua formação e manutenção e é sugerido que isso ocorra de modo análogo à organização de punhado de limalha de ferro sob ação de um campo magnético comum. 
  
De fato, os sistemas vivos são considerados sistemas auto-organizados. Porém, apesar da complexidade, ainda não existe uma demonstração absoluta de que a vida decorre apenas das interações puramente materiais entre as partículas que compõem o corpo físico. Entretanto, o Prof. Ilya Prigogine, prêmio Nobel de Química em 1977, formulou a teoria da Termodinâmica de Processos Irreversíveis [13], em que ele mostra as condições para a existência de sistemas auto-organizados. Essa teoria é um forte argumento dos materialistas para a não existência do Espírito ou de um MOB, responsável pela formação e manutenção do corpo físico. 
  
A primeira dificuldade desse modelo é que, se por hipótese o MOB possui um campo biomagnético capaz de interagir com a matéria, teria que ser possível medi-lo com instrumentos terrestres. A teoria do “Psi Quântico” [14] é muito qualitativa e ainda precisa ser melhor analisada em vista de algumas críticas [15]. Até o momento, o que se sabe, por exemplo, da bioeletrografia (ou fotos Kirlian) é que ela expressa apenas o chamado efeito corona, que é a radiação emitida pelos elétrons do objeto perante os altos campos eletromagnéticos produzidos pelo aparelho Kirlian. Em outras palavras, ainda não se consegue detectar a existência de um campo cuja causa não possa ser explicada por nenhum fenômeno físico normal. 
  
Uma outra dificuldade do MOB, porém não absoluta, decorre das heranças genéticas. Se o modelo é organizador num sentido absoluto, como os fatores hereditários surgem na formação do novo corpo? A própria semelhança física entre pais, avós e filhos sugere que fatores materiais preponderam em determinadas partes da formação do corpo físico. Aliás, a idéia de molde discutida na seção anterior também não explica a origem dessa semelhança. O instrutor Alexandre, em Missionários da Luz [12], no capítulo 13, diz que “Os contornos e minúcias anatômicas vão desenvolver-se de acordo com os princípios de equilíbrio e com a lei da hereditariedade. A forma física futura de nosso amigo Segismundo dependerá dos cromossomos paternos e maternos; adicione porém, (...), a influência dos moldes mentais de Raquel, a atuação do próprio interessado, o concurso dos Espíritos Construtores, que agirão como funcionários da natureza divina (...).” (Grifos em negrito, nossos). 
  
Percebemos, portanto, que a própria Espiritualidade nos informa que os fatores materiais não podem ser negligenciados. 
  
A situação apresentada na questão 356 de O Livro dos Espíritos também mostra que é possível formar um corpo físico sem a presença do perispírito ou, no caso, do MOB. 
  
É importante mencionar a seguinte afirmativa do referido instrutor, ainda no capítulo 13 da obra referida: “O organismo maternal fornecerá todo o alimento para a organização básica do aparelho físico, enquanto a forma reduzida de Segismundo, como vigoroso modelo, atuará como imã entre limalhas de ferro, dando forma consistente à sua futura manifestação no cenário da Crosta.” (Grifos em negrito, nossos).  
  
Destacamos a palavra “como” na citação acima, para enfatizar que o processo de influência do perispírito sobre a matéria é semelhante à atuação de um imã sobre limalha de ferro, porém não é exatamente o mesmo processo. Como elucidamos acima, para que esse processo de influência seja do mesmo jeito que a influência de campos magnéticos sobre objetos metálicos, seria preciso medir tais campos magnéticos e mostrar que sua causa não esteja na própria organização da matéria. 
  
Por essas razões, nós ponderamos que a influência do perispírito sobre o corpo físico ainda não seja totalmente bem representada pela idéia de um modelo organizador em fenômeno totalmente análogo ao de um campo magnético atuando sobre a limalha de ferro. Adiante, exporemos uma proposta que pode conciliar a possibilidade de influência do perispírito com as características científicas dos sistemas vivos.  
  
5. A influência dos fatores puramente materiais

A semelhança entre avós, pais e filhos sugere que fatores puramente materiais dirijam o processo de formação do corpo físico. Certamente, que isso ocorre em muitos outros aspectos além da semelhança física. 

André Luiz, na obra Evolução em Dois Mundos [16], explica que o automatismo presente em diversas funções fisiológicas como, por exemplo, as funções vegetativas do nosso corpo, é o resultado do acúmulo de experiências do princípio inteligente no seu corpo espiritual, através dos séculos. Entretanto, no cap. IV, ele ressalva que:

(...), em qualquer estudo acerca do corpo espiritual, não podemos esquecer a função preponderante do automatismo e da herança na formação da individualidade responsável, para compreendermos a inexeqüibilidade de qualquer separação entre a Fisiologia e a Psicologia, (...).”(Grifos em negrito, nossos). 

Essa afirmativa de André Luiz é clara no sentido de que não se deve excluir os fatores materiais em todos os processos biológicos, assim como não se deve excluir os fatores espirituais. A citação feita na seção 4, do livro Missionários da Luz, reforça isso. O próprio Hernani G. Andrade reconhece (p. 51 de [2]) que:

“Se admitíssimos, (...), a existência de estruturas de campo pré-existentes e ligadas aos processos biológicos, talvez pudéssemos, reforçando as teorias evolucionistas, dar-lhes melhor explicação, sem ferir os bem firmados princípios da genética. (...) O fenômeno ao qual denominamos vida resultaria, segundo uns, exclusivamente das propriedades físico-químicas da matéria. Mas, segundo este outro ponto-de-vista, ele se originaria da conjugação de duas categorias de fatores: as propriedades físico-químicas da matéria e um modelo organizador biológico (MOB).” (Grifos em negritos nossos). 

Percebe-se, portanto, que André Luiz e Hernani não desprezam os fatores materiais na formação e manutenção do corpo físico. 

  

Fonte: Boletim GEAE, 16 (532), 2008