Crônica: correr junto com Dr Drauzio Varella

 

Raul Franzolin Neto

 

drauzioRaul2Uma das pessoas que aprendi a admirar como exemplo de vida na Terra é o médico oncologista, Dr. Drauzio Varella. Suas inserções na TV sempre me deixam entusiasmado pela forma simples de tratar assuntos complexos e a maneira objetiva com uma didática gostosa e esclarecedora. Mas meu contato com sua personalidade surgiu ao ler o livro “Borboleta da Alma” em que fiquei encantado com as informações científicas e analogias no dia a dia.  Daí surgiu o “Por um fio” e a emoção aflorou ao sentir a narrativa triste e dolorosa da perda de seu irmão, também médico.

Sua dedicação ao trabalho é digna de destaque, principalmente por exercer a profissão como médico voluntário na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) e atualmente na Penitenciária Feminina da Capital.

Agora, novamente tive a oportunidade ao visitar uma livraria deparar com o seu novo livro - Correr. Sem ao menos folheá-lo o comprei e foi para o meu criado mudo como minha companhia no preparo para o sono. Além disso, compartilhei o livro em minha esteira praticando a caminhada rotineira de 35 minutos diários seguindo seu conselho de longa data. Mas tive uma surpresa agradável ao saber que o Dr Drauzio encara o grande desafio de correr maratonas a partir dos 50 anos de idade até hoje.

Com isso comecei a refletir sobre a nossa imensa responsabilidade evolutiva em preservar o corpo físico como meio de da nossa reencarnação na Terra pelo tempo máximo possível. Embora o Dr Drauzio fale sutilmente “na próxima vida vou voltar...” compartilhando em fatos bem humorados narrados no livro, parece notória a sua visão critica sobre religião e filosofia de vida.

Nosso corpo físico é uma verdadeira maquina extremamente complexa, mas que certamente devemos promover a manutenção adequada já que qualquer matéria sofre o desgaste ao longo do tempo. O grande desafio, entretanto, surge como uma pedra no sapato. Parece que tudo o que é gostoso é prejudicial e tudo o que é difícil é saudável, com exceção do sono bem dormido, mas sem pesadelos. Por que será?

A ciência é fascinante nesse aspecto e a expectativa de vida vem crescendo com os avanços da medicina e em todas as áreas que beneficiam significativamente a nossa máquina. De tudo, a atividade física é auxiliar fundamental.

Entender o porquê da vida é de uma complexidade imensa que está ligado ao corpo físico e ao espírito. Por que o nosso corpo é tão frágil diante do tempo? Por que não podemos viver 200 anos e mesmo por que existe a morte? Não há respostas adequadas sem a visão da existência de uma força inteligente que sobrevive a morte física, ou seja, o Espírito.

No final do livro Dr Drazio faz uma interessante obserção:

“...Não sou obra de um ser onipotente que controla o universo, mas do encontro casual e aleatório de determinado óvulo com o espermatozoide mais apto daquela ejaculação. Da mesma forma que não existia antes da fusão celular, desaparecerei quando soar a hora fatal.

Como meu destino nos anos que me restam não será traçado por um mágico transcendental encarregado de me proteger das intempéries, tenho que estar atento ao corpo e ao espírito, não posso trata-los com displicência preguiçosa...”

Diante de tudo que conhecemos até o momento, nossa razão induz a aceitarmos a existência do ser como tendo dois componentes bem distintos, o corpo físico e o espírito, além desses, outro intermediário, o períspirito. Um é puramente material formado da fusão de determinado óvulo com um espermatozoide. A ciência ainda tem espaço para esclarecer como esse encontro se processa, se é realmente de forma aleatória ou se pode ser induzida. Mas o fato é que o corpo físico desaparece com a morte, retornando a matéria em seu estado original de moléculas e íons. E o segundo componente? O espírito. Esse é eterno e desaparece apenas diante de nossos olhos carnais, seguindo sua jornada em outros planos diante da eternidade enfrentando muito e muito trabalho rumo à felicidade infinita. Nesse caso, concordo plenamente que  “...tenho que ficar atento ao corpo e ao espírito e não posso trata-los com displicência preguiçosa...”

Referência: Varella, Drauzio.  Correr: o exercício, a cidade e o desafio da maratona. 1ª. Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.  206p.